Enchentes provocam prejuízo de R$ 50 milhões na indústria moveleira de Ubá

A indústria de móveis em Ubá, a terceira maior no Brasil, já estima R$ 50 milhões em perdas em decorrência dos impactos das enchentes que atingiram a cidade, que fica na Zona da Mata mineira. Um levantamento do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá aponta que, após as inundações, pelo menos 20% das fábricas não devem conseguir reabrir devido aos prejuízos. Além disso, parte das empresas pode levar pelo menos dois meses para conseguir concluir a limpeza e retomar as atividades.
O presidente do sindicato que representa o setor, Gilberto Coelho, afirma que pelo menos 34 fábricas de móveis foram atingidas e muitas ainda contabilizam os prejuízos. “O impacto maior foi a entrada de água no pavilhões da empresa, dentro do parque industrial, onde muitos perderam praticamente todo o seu estoque de produto acabado, de matéria-prima, muitos maquinários. Muitos deles perderam parte dos seus galpões, que é uma das grandes dificuldades para eles retornarem as suas atividades. Tem empresas que foram menos atingidas, a água não comprometeu os maquinários. E essas já estão retornando na semana que vem, já estão acabando as limpezas. Mas as empresas que tiveram um impacto maior, essas vão demorar mais um pouco aí, eu acredito que entre 30 a 60 dias”, explica.
Somadas, as fábricas concentram quase 3 mil trabalhadores e pelo menos 55% delas estão com as atividades totalmente paralisadas, o que vai impactar na economia local nos próximos meses.
Além da indústria, a produção agropecuária também foi fortemente impactada na Zona da Mata após as fortes chuvas. Segundo dados da Emater, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas, mais de 400 produtores rurais foram prejudicados, sendo a maior parte em Ubá, com perdas principalmente de hortaliças, como couve, alface e cebolinha. Foram mais de 45 hectares de lavouras com perda total por causa das áreas encharcadas.
Enchentes provocam prejuízo na indústria de Ubá — Foto: Divulgação/Faemg
Já a Faemg, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, estima prejuízos de mais de R$ 3,5 milhões pelos produtores rurais. O gerente interino de Assistência Técnica e Gerencial da entidade Wender Guedes afirma que parte dos agricultores pode ter dificuldades financeiras para retomar as atividades.
“Aproximadamente 17% teve perda superiores a R$ 50 mil que aí é esse receio que a gente tem, por causa desse grau de severidade e essa descapitalização desses produtores. Logo após acometimento de dessas chuvas intensas vêm com elas o acometimento de pragas, de doenças nas lavouras. Então a gente vem observando bem para que a gente possa orientar da melhor maneira esses produtores, tanto na parte técnica, o gerenciamento dessas atividades para que o dano seja o menor possível”, disse.
Além das perdas de lavouras, também houve o registro da morte de pelo menos 142 animais em 13 propriedades rurais, em 12 municípios mineiros.
Entre as ações de socorro aos setores atingidos está a suspensão de cobranças de impostos pelos governos federal e estadual, além da abertura de uma linha de crédito de R$ 200 milhões pelo BDMG, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, com juros reduzidos e prazo estendido para pagamento.








