abril 18, 2026

Governador em exercício do Rio intensifica 'faxina' e exonera mais de 550 servidores


Em meio à crise política no Estado do Rio, o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, intensificou a chamada “faxina” na máquina pública e já exonerou mais de 550 servidores comissionados em menos de 20 dias no cargo.

Grande parte dos desligamentos atinge funcionários que não estariam em atividade, conhecidos como “fantasmas”. Só na última edição do Diário Oficial, quase 100 pessoas foram exoneradas. Segundo o governo, auditorias identificaram inconsistências funcionais, como ausência de acesso a sistemas internos e falta de credenciamento institucional. A estimativa é de economia de cerca de R$ 8 milhões por ano.

As mudanças também atingem a estrutura administrativa. Couto determinou a extinção de três subsecretarias da Casa Civil, incluindo áreas como Projetos Especiais, Gastronomia e Ações Comunitárias e Empreendedorismo. A revisão deve se estender a outros órgãos e contratos.

A ofensiva já começa a gerar reação política. Nos bastidores, aliados do ex-governador Cláudio Castro relatam desconforto com a saída de nomes ligados ao grupo, inclusive em cargos estratégicos como na Cedae.

Para analistas, o movimento indica tentativa de reorganização da máquina estadual em meio à transição de poder.

Pela primeira vez desde que assumiu o governo, após a renúncia de Cláudio Castro em 23 de março, Ricardo Couto despachou no Palácio Guanabara. Até então, ele acumulava funções no Executivo e no Judiciário a partir do gabinete no Fórum, no Centro do Rio.

Enquanto promove mudanças internas, Couto também iniciou articulações políticas. Ontem, ele se reuniu com o novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Douglas Ruas, em encontro no Tribunal de Justiça que marcou o início do diálogo institucional entre Executivo e Legislativo.

Eleito com 44 votos e sem concorrência, após boicote da oposição, Ruas sinalizou, pela primeira vez, que pretende assumir o governo interino, atualmente ocupado pelo desembargador Ricardo Couto.

Hoje, a linha sucessória está alterada por decisão liminar do ministro do STF Cristiano Zanin, que mantém o presidente do Tribunal de Justiça à frente do Executivo estadual. A definição depende de julgamento do Supremo, que vai estabelecer como será escolhido o chamado “governador-tampão”, se por eleição direta ou indireta. O processo está suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Um dos elementos que pode destravar essa definição é o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral no julgamento que tornou Cláudio Castro inelegível. O documento já foi concluído, mas não esclarece qual deve ser o modelo de eleição para o comando do estado, mantendo o impasse sobre a sucessão.



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