Márcio França ganha força para ser vice de Haddad em São Paulo

Uma nova reunião entre o ex-ministro Márcio França, o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é esperada para os próximos dias para tentar bater o martelo sobre a vaga de vice na chapa petista ao Palácio dos Bandeirantes. França e Lula já trataram do tema na semana passada e o combinado foi que o ex-ministro avaliaria os cenários antes de uma definição final.
Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que França se tornou o nome mais forte para compor a chapa. No entanto, o principal fator em jogo é a disposição do PSB em abrir mão de uma candidatura própria ao Senado. Segundo apuração da coluna, dirigentes do partido avaliam que o ex-governador teria condições de ajudar Haddad a ampliar o diálogo com o eleitorado de centro e fortalecer a campanha ao governo. Ao mesmo tempo, há receio de perder espaço na disputa ao Senado. A leitura interna é de que França também seria um nome competitivo para enfrentar os candidatos da direita e que, em caso de derrota da chapa petista, — cenário apontado hoje pelas pesquisas de intenção de voto —, o partido ficaria sem representação em uma das principais disputas majoritárias do estado.
A expectativa é de que a definição aconteça até a segunda quinzena de junho, quando França retorna ao Brasil após um período de férias. A ideia é que o vice já esteja definido para acompanhar e ampliar as agendas de pré-campanha de Haddad, que tem apostado em encontros temáticos e rodas de conversa, principalmente com universitários.
À coluna, uma fonte ligada à pré-campanha petista resumiu o cenário: “Depende do França aceitar”. O mesmo interlocutor confirmou que hoje essa é “a hipótese mais provável”.
Entre os argumentos apresentados por aliados estão o bom trânsito político de França com prefeitos, deputados e vereadores, além da proximidade com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Também pesa o fato de ele já ter governado São Paulo entre abril de 2018 e janeiro de 2019, após a renúncia de Alckmin para disputar a Presidência da República.
Embora interlocutores da campanha reconheçam que uma mulher na vice seria vista com bons olhos por parte do eleitorado, a avaliação predominante hoje é de que a ex-ministra Simone Tebet teria maior potencial eleitoral em uma disputa ao Senado.
Com França na vice, Tebet passa a ser considerada o principal nome para enfrentar os pré-candidatos da direita ao Senado, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), apoiados pela chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também é esperada uma candidatura do ex-ministro Ricardo Salles (Novo), como a CBN já mostrou.
Uma ala do PT também avalia que uma eventual escolha de Tebet para a vice poderia abrir espaço para questionamentos da campanha adversária. Nos bastidores, dirigentes lembram que Tarcísio foi alvo de críticas em 2022 por não ter trajetória política construída em São Paulo. Tebet, por sua vez, nasceu em Mato Grosso do Sul, argumento que poderia ser explorado no debate eleitoral.



