Na reta final do julgamento, defesa de Jairinho fala em armação e acusação reforça tese de homicídio

O julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Dr. Jairinho pela morte do menino Henry Borel chegou ao décimo dia nesta quarta-feira (3) e deve ser encerrado ainda hoje. Com isso, o caso iguala a duração do júri da tragédia da Boate Kiss, um dos mais longos da história recente do país.
O último dia de sessão é dedicado aos debates entre acusação e defesa. Pela manhã, falaram a promotora do caso e os assistentes de acusação, que representam Leniel Borel, pai de Henry.
Durante a sustentação, a acusação buscou reforçar a responsabilidade de Monique pela morte do filho, argumentando que ela foi negligente e se omitiu diante das agressões sofridas pela criança. Em relação a Jairinho, o Ministério Público sustenta de forma direta que ele foi o autor das agressões que levaram à morte do menino.
À tarde, foi a vez das defesas. Os advogados de Monique tentam convencer os jurados de que ela não participou das agressões, desconhecia a violência sofrida por Henry e também teria sido vítima da relação com Jairinho. A defesa ainda atribui parte da responsabilidade à babá da criança, que prestou depoimento durante o julgamento.
Já a defesa de Jairinho, que encerra sua sustentação nesta noite, argumenta que todo o caso seria resultado de uma armação de Leniel Borel. Segundo os advogados, Henry teria se machucado em um acidente de carro e morrido horas depois, e o pai da criança teria aproveitado a situação para prejudicar Monique e Jairinho, em uma suposta vingança motivada por uma traição.
Os defensores também exibiram mensagens trocadas entre Leniel e a então diretora do Instituto Médico-Legal (IML), extraídas de celulares apreendidos, e alegaram que ele teria influenciado a produção dos laudos periciais.
Após o encerramento das sustentações, ainda haverá réplica e tréplica. A expectativa é que o julgamento termine ainda nesta quarta-feira, mas não há previsão para o horário da sentença.
Nos bastidores do Tribunal de Justiça do Rio, a intenção é evitar que o júri avance pelo feriado desta quinta-feira (4). Ainda assim, dependendo da duração dos debates e do desgaste dos jurados, a leitura da sentença pode ficar para a madrugada ou até para a manhã de quinta.
Os sete jurados, cinco homens e duas mulheres, estão há dez dias isolados no Tribunal de Justiça. Durante o período, permanecem incomunicáveis, sem acesso a celulares, televisão ou notícias sobre o caso.
Após os debates, eles responderão aos quesitos formulados pela Justiça. Com base nessas respostas, a juíza Elizabeth Machado Louro anunciará se Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior serão condenados ou absolvidos.



