Grupo de estudantes invade portarias da administração da USP após diretório votar pelo fim da greve

Um grupo de estudantes invadiu, na noite desta segunda-feira, as portarias dos blocos K e L da administração central da USP, na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo.
A invasão ocorreu no mesmo dia em que o Diretório Central de Estudantes da universidade votou pela recomendação do fim da greve, que já dura 54 dias. Foram 323 votos pelo encerramento da paralisação, 255 pela manutenção do movimento e nove abstenções.
A decisão ainda não encerra automaticamente a greve. Agora, assembleias independentes nas 43 unidades paralisadas devem decidir se aderem ou não à recomendação.
O grupo que invadiu os prédios protestava contra a qualidade das refeições servidas no restaurante universitário, o valor do Pafpe (programa de apoio à permanência estudantil) e a dificuldade de negociação com a reitoria.
Segundo a direção da USP, os manifestantes estavam encapuzados, carregavam pedaços de pau e cassetetes, dispararam rojões e agrediram seguranças. Pelo menos três membros da guarda universitária ficaram feridos com maior gravidade e foram levados ao Hospital Universitário. Eles já receberam alta.
A Polícia Militar foi acionada e retirou o grupo do local. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, seis jovens, de 18 a 22 anos, foram detidos, levados ao 7º Distrito Policial, na Lapa, ouvidos e liberados por volta das duas da manhã.
Segundo o DCE, o grupo agiu de forma isolada, sem relação com a entidade. Entre os detidos, havia estudantes da USP, da UFABC, da Unicamp e da UFFS.
A policia apreendeu fogos de artifício, porretes, rádios comunicadores, um megafone, uma marreta, um estilingue e outros objetos usados durante a ocupação. A perícia também constatou danos em móveis e equipamentos da universidade.
Em nota publicada nas redes sociais, os manifestantes se declararam independentes e sem vínculo com o diretório que liderou a greve iniciada em 14 de abril. O DCE não reconhece a invasão.



