'PCC lava dinheiro até na ração de cachorro', destacam autores de 'Territórios', da Globoplay

Em entrevista ao Fim de Expediente, o jornalista da TV Globo Paulo Renato Soares e o documentarista Gustavo Gomes falam sobre a criação e os bastidores da produção de ‘Territórios – Sob o Domínio do Crime’, documentário de sucesso do Globoplay que analisa o avanço do crime organizado no Brasil.
A dupla afirmou que o grande mal por trás de toda essa estrutura é a corrupção. Segundo eles, facções criminosas como PCC, CV e TCP movimentam volumes muito altos dinheiro e precisam encontrar formas de fazer recursos circularem. Eles relembram a participação de uma desembargadora no documentário, que contou que grupos usam até ração de cachorro para lavar dinheiro.
‘Grupos começam a ganhar dinheiro grosso. Mas, assim, um kg de cocaína chega no Brasil, eles compram por 1.200 dólares, 2.000 dólares, vendem no Brasil a R$5.000, mas vendem na Europa a 40, vendem na Ásia a 70.000 dólares. Eles precisam lavar dinheiro. A desembargadora que trabalhou em investigações contra o PCC durante muito tempo, fala que eles lavam dinheiro até na ração de cachorro.’
‘Eles vão se sofisticando cada vez mais para lavar esse dinheiro. Então, eles têm empresas formais, na economia formal. Agora, com esse volume de dinheiro, a gente imagina que o nível de corrupção é gigantesco também. Não existe crime organizado sem a participação da corrupção, sem a facilitação. Então, a corrupção é um mal terrível, que facilita.’
Eles contaram que a ideia do projeto não era apenas discutir a violência, mas destacar como o crime se estruturou a ponto de dominar a vida de milhões de brasileiros.
‘Eu acho que a violência atinge as pessoas de maneiras diferentes. A gente queria não falar da violência, mas falar como é que o crime se estruturou, como é que o crime virou uma estrutura de poder, que passou a influenciar a economia, a política e, principalmente, dominar a vida de pessoas. Milhões de brasileiros vivem dominados por esses grupos armados. Acho que a gente extrai dos nossos entrevistados… Onde é que a gente errou? Como sociedade, nas políticas públicas.’
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