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Campanha histórica de Cabo Verde na Copa é 'oportunidade espetacular' para avanços no país, diz cônsul

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julho 4, 2026
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Campanha histórica de Cabo Verde na Copa é 'oportunidade espetacular' para avanços no país, diz cônsul


A campanha histórica de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 representa uma “oportunidade espetacular” para impulsionar o desenvolvimento do país nas áreas de turismo, educação e cultura. A avaliação é do cônsul honorário de Cabo Verde no Rio de Janeiro, Pedro António dos Santos, que afirmou, em entrevista ao CBN Rio, que a repercussão mundial da seleção deve ser aproveitada pelo governo para fortalecer a economia e ampliar a visibilidade internacional do arquipélago.

A trajetória da seleção terminou nesta sexta-feira (4), com uma derrota, por 3 a 2, para a Argentina na prorrogação, após empate em 2 a 2 no tempo regulamentar. Estreante em Copas do Mundo, Cabo Verde surpreendeu ao avançar para a segunda fasa depois de enfrentar um dos grupos mais difíceis do torneio, empatando com Espanha e Uruguai antes de chegar ao mata-mata, onde deu trabalho aos atuais campeões do mundo.

Segundo Pedro António dos Santos, o momento é inspirador e pode abrir um novo ciclo de crescimento para o país.

“Se essas pessoas tentarem invadir Cabo Verde neste momento, o governo tem que se estruturar da melhor maneira. Não é só o futebol. É preciso aproveitar esse leque de possibilidades e oportunidades para mostrar ao mundo a Morabeza que existe em Cabo Verde. Esperamos transformar essa oportunidade em trabalho, educação e desenvolvimento. Esse é um momento inspirador para o nosso país.”

Para o cônsul, a simples classificação para o Mundial já era motivo de comemoração, mas a campanha superou qualquer expectativa. Pedro António afirmou que o desempenho da equipe mostrou ao mundo a resiliência do povo cabo-verdiano e ajudou a divulgar a cultura, as tradições e os costumes do país. Na avaliação dele, independentemente da eliminação, Cabo Verde saiu vencedor ao conquistar projeção internacional e despertar o interesse de milhões de pessoas.

“Somos um povo resiliente e isso ficou claro em campo, principalmente contra a tricampeã mundial Argentina. Enfrentamos um desafio enorme também diante da Espanha, quando muitos diziam que perderíamos por 9 a 0 e davam apenas 1% de chance para Cabo Verde. Eliminamos o Uruguai e encaramos a Argentina de igual para igual. Quem saiu campeão foi Cabo Verde, porque mostramos ao mundo nossa alma, nosso talento, nossa cultura, nossas tradições e nossos costumes. Agora temos uma oportunidade espetacular de apresentar Cabo Verde ao mundo”, afirma.

Com cerca de 562 mil habitantes, população menor que a de cidades da Baixada Fluminense, Cabo Verde é um arquipélago de dez ilhas localizado no Oceano Atlântico, a cerca de 600 quilômetros da costa africana. Descoberto pelos portugueses em 1460, quarenta anos antes do Brasil, o país mantém fortes laços históricos, culturais e linguísticos com os brasileiros.

Segundo Pedro António, essa proximidade fez surgir até um ditado popular de que Cabo Verde é “um Brasil pequenininho”, enquanto o Brasil seria “um Cabo Verde grandão”.

O cônsul destacou que essa relação se fortaleceu ao longo das décadas por meio da literatura, da música e, principalmente, das novelas brasileiras, que fazem sucesso no arquipélago há gerações. Para Pedro António, a influência da cultura brasileira está presente no cotidiano de Cabo Verde e faz parte da identidade do povo cabo-verdiano.

Na avaliação do diplomata, a campanha dos “Tubarões Azuis” pode ampliar ainda mais esse intercâmbio. Ele defendeu que o governo aproveite a visibilidade conquistada na Copa para estruturar o país e receber um número maior de visitantes, transformando o sucesso dentro de campo em oportunidades permanentes para o turismo, a educação e o desenvolvimento econômico.



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