Defesa de Bolsonaro diz ao STF que pistola não entregue está apreendida pela Polícia Civil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou nesta terça-feira (7) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a pistola Glock calibre 9 mm apontada pelo Exército como não localizada está, na realidade, apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Segundo os advogados, a arma foi apreendida no âmbito do inquérito que investiga o armamento encontrado com um militar do Exército que integrava a equipe de segurança de Bolsonaro durante uma abordagem policial. A defesa sustenta que houve apenas uma divergência na identificação do número de série da pistola.
A manifestação foi apresentada após Moraes determinar que os advogados esclarecessem a ausência de duas armas que deveriam ter sido entregues à Polícia Federal. O pedido foi feito depois de o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília informar ao STF que uma pistola Glock calibre 9 mm e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12 não estavam sob custódia da unidade militar, embora os demais armamentos já tivessem sido encaminhados à PF.
A entrega das armas foi determinada por Moraes na decisão que manteve Bolsonaro em prisão domiciliar. Na ocasião, o ministro ordenou que todo o arsenal registrado em nome do ex-presidente fosse recolhido.
Em relação à espingarda calibre 12, a defesa informou que o armamento não foi entregue porque havia sido dado de presente e está em uma fábrica no Rio Grande do Sul.
Ao todo, o Exército Brasileiro já entregou à Polícia Federal seis armas registradas em nome de Jair Bolsonaro.
O episódio teve origem em 15 de junho, quando a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) apreendeu uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem envolvendo um integrante de sua equipe de segurança. A ocorrência levou à abertura de um inquérito.
Em depoimento, Bolsonaro reconheceu que a arma apreendida era de sua propriedade e afirmou que ela permanecia em sua residência, no condomínio Solar de Brasília, mesmo após o início do cumprimento da prisão. Segundo o ex-presidente, ele manteve a arma porque “tem três mulheres em casa” e “não podia ficar desarmado”.
O caso adiou a análise de Moraes sobre a manutenção da prisão domiciliar. Na sexta-feira (3), o ministro decidiu manter o benefício, mas determinou a entrega de todas as armas registradas em nome do ex-presidente.
Na decisão, Moraes advertiu que o eventual descumprimento da ordem poderia resultar na revogação da prisão domiciliar.
Com isso, Jair Bolsonaro segue cumprindo em casa a pena de 27 anos de prisão imposta pelo STF por condenação no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.



