Laudo preliminar aponta que um dos helicópteros não aparecia no radar antes de colisão no Rio

Um mês depois do acidente entre dois helicópteros que bateram na Zona Sudoeste do Rio, um laudo preliminar do Cenipa aponta que o voo de uma das aeronaves não constava no radar do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro . O PP-MAC tinha quatro passageiros e um piloto e acabou colidindo no ar contra o PR-DJJ, que estava apenas com o piloto, no Recreio dos Bandeirantes na manhã do dia 14 de junho.
O Centro de investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos aponta que a trajetória do PP-MAC precisou ser reconstruída a partir do plano de voo, das autorizações recebidas e das comunicações com a torre de Jacarepaguá, e não por registros.
O especialista em gerenciamentos de risco Gustavo Cunha Mello explica que há indícios de que o ‘transponder’ do helicóptero que carregava os passageiros estava desligado, o que seria uma falha grave.
“O que traz de grande novidade é que o DJJ se comunicou com a torre de Jacarepaguá. Ele decolou do Santos Dumont, quando chegou ali próximo ao aeroporto de Jacarepaguá, ele se comunicou com a torre, pediu autorização, fez todo o procedimento certo, pediu autorização para cruzar ali a área do aeroporto e seguiu na rota especial de helicópteros. O segundo piloto, esse que decolou de Jacarepaguá com os passageiros com destino a Angra, ele não foi registrado nos radares. O relatório não fala, mas é um indício que o transponder estaria desligado, o que é uma falha grave. Quando você está com o transponder desligado, você não enxerga o outro”, explica.
A nave era de modelo mais antigo, de 1999, e tinha menos equipamentos auxiliares de voo. O helicóptero que tinha apenas o piloto era mais moderno, de 2012, e contava com vários equipamentos auxiliares a navegação.
Gustavo Cunha Mello aponta também pode atrapalhar a investigação é o fato de que nenhuma das duas aeronaves tinha caixa preta ou caixa de voz.
Helicóptero cai no Rio, explode e incinera carros — Foto: Reprodução/TV Globo
O Cenipa aponta que os planos de voo de ambas as aeronaves previam as mesmas rotas e altitudes coincidentes. O acidente aconteceu pouco antes do meio-dia.
O laudo preliminar conclui que, no estágio atual, nenhuma hipótese para o acidente pode ser descartada, sendo necessários exames e análises complementares. Não existe prazo para a conclusão da investigação.
Depois da colisão, as aeronaves caíram em um pátio de veículos elétricos na Avenida das Américas, uma via movimentada do no Recreio dos Bandeirantes. A queda logo causou uma explosão, seguida de incêndio. As chamas se espalharam rapidamente, principalmente pelas baterias dos carros que estavam estacionados no local.
No acidente, morreram os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac. O cantor Oliver Tree, o cineasta argentino Lucas Vignale, Gaspar Prim e o DJ e produtor musical brasileiro Lucas Frota também morreram.



