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Carne bovina é poupada do tarifaço contra Brasil para não penalizar consumidores dos EUA, diz Casa Branca

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julho 16, 2026
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Carne bovina é poupada do tarifaço contra Brasil para não penalizar consumidores dos EUA, diz Casa Branca


A Casa Branca explicou que, entre os diversos produtos retirados da nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros, a carne bovina foi poupada para não penalizar os consumidores locais, já que o rebanho bovino americano é o menor em 75 anos.

O Departamento de Agricultura americano mostra que o rebanho atualmente está em 86,2 milhões de cabeças, menos nível desde 1951. O número de vacas e bezerros também diminuiu no menor valor desde 1941.

Apesar do alcance do tarifaço, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos ficaram fora da nova cobrança. O relatório final norte-americano trouxe uma lista ampliada de exceções para evitar o descontrole da inflação dentro dos Estados Unidos.

Ficam formalmente livres do tarifaço produtos estratégicos da pauta de exportações brasileira, como a carne bovina, café, celulose, petróleo bruto, gás natural; aeronaves civis e peças aeroespaciais; laranja e suco de laranja.

A lista conta com 864 isenções no total, e inclui também terras-raras, ferro-gusa, mel orgânico, pescados e crustáceos.

Entre os principais produtos brasileiros que serão taxados estão: etanol, máquinas agrícolas; vestuário, calçados, açúcar orgânico, manufaturados em geral e itens industriais processados.

Entenda mais do tarifaço

Presidentes Donald Trump e Lula em encontro na Casa Branca, em maio de 2026 — Foto: Divulgação/Lula

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (16) uma tarifa de 25% contra produtos importados brasileiros, conforme já era esperado. Esta quarta era considerado o prazo final para a confirmação das taxas pela investigação comercial americana do comércio com o Brasil.

O tarifaço de 25% é uma resposta a supostas práticas de comércio desleais e discriminatórias adotadas pelo Brasil.

Entre as acusações de Washington estão o favoritismo regulatório ao Pix; barreiras à importação do etanol americano; disputas sobre propriedade intelectual; e falhas no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.

A sobretaxa vai atingir madeira e derivados; rochas ornamentais e de construção: maquinário industrial e equipamentos; café solúvel e etanol de milho.

Para proteger as cadeias produtivas americanas e evitar o descontrole da inflação interna, a Casa Branca deve confirmar uma lista de exceções ao tarifaço.

Foram poupados a maior parte dos produtos agropecuários do Brasil, como carne bovina; frutas, sucos e café em grão; aeronaves e partes de aviação da Embraer; minerais críticos, fertilizantes, medicamentos e insumos industriais básicos.

Em nota, o governo do presidente Lula repudiou oficialmente a imposição das tarifas e classificou a medida unilateral de injusta e sem amparo nas regras multilaterais de comércio.

O Palácio do Planalto afirmou que o dia 15 de julho passará para a história diplomática das relações bilaterais como um marco lamentável.

Dólar — Foto: Pixabay

A nota acrescenta que são descabidas as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O governo repetiu que o Pix é um patrimônio do país, referência internacional de infraestrutura pública digital e não será negociado.

As autoridades brasileiras acusam o governo americano de tomar uma decisão política e não técnica.

Como reação imediata, o governo brasileiro anunciou que dará início aos trâmites legais para acionar a Lei de Reciprocidade.

O Brasil também informou que vai recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que o governo também vai adotar medidas para mitigar os efeitos do tarifaço nos setores afetados. O governo brasileiro também acusou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuar nos bastidores a favor do tarifaço com fins eleitoreiros.

A nota cita o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter enviado documentos à Casa Branca sugerindo que as negociações comerciais fossem adiadas para depois das eleições presidenciais de outubro.

O senador também participou de uma audiência pública no Escritório de Comércio dos Estados e reiterou a posição pelo adiamento das tarifas, alegando que a sobretaxa agora favorece o presidente Lula politicamente.

Ao comentar a imposição das tarifas nas redes sociais, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atacou o presidente Lula.

O chefe da diplomacia americana disse que Lula não negociou de boa fé e colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo.

O secretário de Estado americano também afirmou que o presidente do Brasil adotou políticas econômicas que ‘são prejudiciais tanto para americanos quanto para brasileiros’

O Itamaraty lembra que fez mais de 30 reuniões com autoridades americanas desde o anúncio do tarifaço original, em abril do ano passado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, mais de 10 reuniões foram com Marco Rubio e o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.



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