Mauro Vieira diz que tarifas dos EUA são injustificadas e acusa Trump de interferência política

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo brasileiro considera injustificada a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após a investigação conduzida com base na Seção 301. Segundo ele, o Brasil manteve diálogo constante com autoridades americanas desde março de 2025, com mais de 30 reuniões em diferentes níveis, e vinha negociando antes mesmo do anúncio do primeiro pacote tarifário, em abril daquele ano.
Vieira disse que a elevação das tarifas para 50%, anunciada após carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Lula, teve motivação política e representou uma tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro. De acordo com o ministro, foi nesse documento que Trump determinou a abertura da investigação contra o Brasil com base na Seção 301.
O chanceler também criticou as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificando-as como “inaceitáveis” e “ofensivas” ao governo e ao povo brasileiro. Segundo Vieira, o governo americano se incomodou com a recusa do Brasil em aceitar exigências consideradas “desmedidas”, como a abertura irrestrita de setores da economia brasileira sem contrapartidas para os produtos nacionais.
O ministro afirmou ainda que o Brasil participou ativamente da investigação, apresentou duas defesas formais ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos e realizou consultas bilaterais em Washington para contestar as acusações. Segundo ele, as políticas brasileiras investigadas são legítimas, não discriminatórias e não causam prejuízos ao comércio americano.
Vieira também rejeitou as críticas dos Estados Unidos ao PIX, afirmando que o sistema é uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central e acessível a todas as instituições financeiras que atuam no país, não havendo fundamento para alegações de concorrência desleal. O chanceler classificou ainda como “absurdas” as acusações relacionadas ao desmatamento, destacando que o Brasil reduziu significativamente os índices na Amazônia e no Cerrado desde 2022.
Ao concluir, o ministro afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo americano para impor as tarifas “não têm lastro na realidade” e reiterou que a medida carece de racionalidade econômica e jurídica.



