Durigan afirma que 'não cabe falar em retaliação aos EUA'

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira que o governo não estuda uma retaliação contra os Estados Unidos em resposta à taxação de 25% imposta aos produtos brasileiros. E não descartou a reciprocidade, mas disse que a possibilidade “tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo corretos”.
A legislação foi aprovada por unanimidade do Congresso no ano passado. Para Durigan, a medida protege os interesses nacionais ao oferecer procedimentos em caso de ataques unilaterais de outros países. A equipe econômica está levantando as listas de exceções e os efeitos sobre os setores atingidos.
“Não cabe falar em retaliação. Retaliação é uma palavra que está fora do nosso escopo e está fora do nosso trabalho”, disse.
O governo também está fazendo os cálculos políticos e econômicos da eventual aplicação da Lei da Reciprocidade. Fontes do Palácio do Planalto ainda admitem que se houver retaliação, o governo Donald Trump deverá responder com mais tarifas e outras medidas reataliatórias.
Analistas também afirmam que o governo deve ponderar a resposta. “Quais implicações trariam a outros relacionamentos se a lei for aplicada e a reação do governo estadunidense. Também pode ser que os Estados Unidos estejam tentando incentivar o Brasil a cair em uma armadilha”, disse o especialista em Direito Internacional, Pablo Sukiennik.
De qualquer forma, a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica não seria rápida. O primeiro passo é ter a dimensão exata do efeito negativo da sobretaxa de 25% sobre os produtos exportados aos Estados Unidos.
Em nota à imprensa e publicação no X, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a decisão do governo Donald Trump de impor um tarifaço e defendeu aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica “como instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais”.



