Papéis da Braskem serão retirados de quase 20 índices acionários na Bolsa de Valores

Os papéis da Braskem serão retirados nesta terça-feira (25) de 18 índices acionários da B3. A exclusão atende às regras regulatórias da bolsa de valores, já que as negociações dos ativos passam a carregar a denominação específica de “Recuperação Extrajudicial”.
Nessa segunda (24), as ações da gigante petroquímica caíram 6,71% na B3, o menor preço em 17 anos. A empresa, então, protocolou o pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de US$ 11 bilhões, ou R$ 56 bilhões.
A recuperação extrajudicial é uma tentativa de renegociar essas dívidas, diretamente com credores, sem recorrer à Justiça.
A operação não afeta os compromissos comerciais da empresa, garantindo a manutenção regular do fornecimento de matérias-primas e a pontualidade no pagamento de salários a funcionários, clientes e fornecedores.
Em entrevista à TV Globo, o professor de Direito Privado da FGV, Paulo Doron, apontou os motivos que agravaram a crise de liquidez em uma das maiores empresas do país.
Nos últimos anos, a Braskem precisou abrir o caixa por causa de acordos para compensar danos causados por um desastre ambiental em Maceió.
A exploração de um tipo de sal pela companhia afundou o solo de uma região da cidade e provocou o deslocamento de 60 mil pessoas.
Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem tem 90 dias para buscar um acordo com grupos de credores, que são bancos brasileiros e estrangeiros e fundos globais de investimento.
A negociação é uma tentativa de mudar o perfil da dívida, alongando os vencimentos e reduzindo os juros para diminuir a pressão sobre o caixa da empresa. Se, ao final do prazo, a empresa não conseguir reestruturar as dívidas, pode partir para negociações individuais ou entrar com pedido de recuperação judicial para evitar a falência.
Região onde se encontra a mina 18, no bairro Mutange, em Alagoas, capital do Maceió. — Foto: Robson Barbosa / AFP



