Vorcaro diz que delação rejeitada por PF e PGR atinge pessoas do núcleo do governo

A audiência ocorreu em segredo de justiça, após a defesa alegar que Vorcaro vinha sofrendo ameaças e intimidações na prisão e temia pela própria segurança e tinha relato de graves intimidações. A PF não acompanhou o depoimento, apenas um representante do Ministério Público.
Vorcaro afirma que desde que foi preso, existiu a predisposição em falar, e que procurou as autoridades para poder falar, colaborar, trazer a verdade, porque via que estava sendo deturpado os fatos, mas que ele tinha esse interesse de expor a realidade.
O banqueiro afirma que está sendo impedido de fazer isso desde o começo e está sendo ameaçado, intimidado, que teme pela própria vida, pela família, e não está vendo nenhuma chance de que a verdade seja estabelecida, a não ser que sente-se todo mundo e haja efetivamente o interesse de ouvir, e não por pessoas que, no entendimento dele, estão querendo que não seja feito, não seja passado, não seja falada a verdade.
Vorcaro di que procurou a PGR e a Polícia Federal, mas percebeu uma diferença de postura: enquanto a PGR teria demonstrado interesse em ouvi-lo, a PF, segundo seu relato, teria resistido à colaboração.
Vorcaro relata ameaças na prisão
Ele afirmou ter sofrido ameaças e intimidações durante a prisão, inclusive durante deslocamentos. Relatou episódios em que agentes teriam feito comentários para que ele “ficasse quieto” e não falasse sobre seus “chefes”. Também descreveu condições que considerou degradantes durante transferências e custódia.
Segundo Vorcaro, depois que manifestou interesse em colaborar, recados passaram a chegar por meio de advogados, recomendando que ele desistisse da colaboração e alertando que sua situação e a de sua família poderiam piorar. Ele disse que as intimidações eram quase diárias enquanto estava sob custódia da PF e cessaram quando a possibilidade de colaboração foi enterrada.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na prisão — Foto: Reprodução/GloboNews
O empresário não apontou diretamente um mandante das supostas ameaças. Disse que os recados chegavam por intermediários e que seu entendimento era de que estavam relacionados às pessoas e informações que pretendia apresentar em uma eventual colaboração.
Vorcaro também afirmou que temia pela própria vida e pela segurança da família. Disse que teria informações envolvendo pessoas do núcleo de poder do atual governo e que algumas relações construídas ao longo de sua trajetória empresarial poderiam envolver situações que, na avaliação dele, ultrapassaram limites morais ou legais.
Vorcaro diz que narrativa foi criada para mantê-lo preso
Um dos pontos centrais do depoimento foi a acusação de que uma narrativa teria sido construída para apresentá-lo como uma pessoa violenta e, assim, justificar sua permanência na prisão e impedir que ele falasse. Vorcaro disse ter convicção de que essa narrativa desviou o foco dos fatos que ele pretende revelar.
Ele também relatou que advogados teriam desistido de representá-lo após receberem informações de que a Polícia estaria monitorando profissionais que atuariam em sua defesa.
Banqueiro afirma que crise do Banco Master começou como disputa econômica
Sobre o Banco Master, Vorcaro apresentou sua própria versão da trajetória da instituição. Disse que sofreu forte pressão regulatória e concorrencial e que chegou a receber de um concorrente a mensagem de que deveria deixar o mercado. Relacionou a crise do banco a uma disputa econômica que, segundo sua interpretação, posteriormente teria adquirido contornos políticos.
Banco Master — Foto: Divulgação/Banco Master
Ele mencionou ainda sua relação com autoridades e pessoas influentes, inclusive Andrei, diretor-geral da Polícia Federal, afirmando que havia uma relação cordial, com participação em eventos, viagens e outras atividades. Segundo Vorcaro, essas relações foram construídas como uma forma de proteção diante das pressões que dizia sofrer.



