ONU vota nesta sexta (4) adoção de novo mapa-múndi com verdadeiras dimensões da África

A Assembleia Geral da ONU deve votar nesta sexta-feira (4) uma resolução do Togo para que o mundo abandone formalmente o mapa tradicional de Mercator em favor de um que mostre com mais precisão o tamanho da África.
Robert Dussey, ministro das Relações Exteriores do país, afirmou que a resolução foi proposta pelo Togo e apoiada por diversos países, incluindo os outros 54 Estados-membros da União Africana. Ele não especificou o número total.
‘Esta discussão não é uma discussão política, [mas sim] uma discussão científica, porque existem provas científicas, então todos temos que aceitar a realidade’, disse.
Apesar das resoluções da ONU não terem papel determinante e não serem vinculativas, elas podem servir de diretriz para escolas e também aplicativos de tecnologia, que sempre utilizaram a projeção conhecida como de Mercator.
O sistema foi introduzido pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569 para auxiliar os marinheiros na navegação marítima. Quase cinco séculos depois, ele continua sendo o padrão mundial.
Devido ao seu estilo de projeção, as regiões próximas ao equador parecem significativamente menores do que realmente são, enquanto as áreas de alta latitude parecem muito maiores. Por exemplo, o mapa mostra a África com um tamanho semelhante ao da Groenlândia, mas o continente é 14 vezes maior que o território dinamarquês.
Historiadores e geógrafos afirmam há anos que a projeção de Mercator defende esteriótipos ocidentais, ainda mais em um período onde as grandes navegações para colonização estavam no auge. Ativistas também corroboram essa ideia, tendo alguns cunhado o termo ‘colonialismo cartográfico’.
Mapa-múndi na projeção de Mercator. — Foto: Reprodução
Um dos críticos mais proeminentes da projeção de Mercator foi Arno Peters, um historiador alemão, que lançou o mapa-múndi de Peters, baseado na projeção de Gall-Peters, em 1973. Este mapa tem sido frequentemente usado como uma alternativa ao mapa de Mercator.
A campanha #CorrectTheMap do Togo promove o uso do mapa Equal Earth de 2018, mais preciso e desenvolvido por uma equipe internacional de cartógrafos. Os apoiadores afirmam que ele ajudará a reverter percepções sobre a África e a descolonizar os currículos globais.
As autoridades togolesas esperam que a votação siga o mesmo resultado de outra decisão apoiada pela União Africana na ONU este ano. Em março, uma resolução patrocinada pelo Gana, que descreve o tráfico de escravos como o ‘crime mais grave contra a humanidade’, foi aprovada com 123 votos a favor. Três estados votaram contra e 52 se abstiveram.
O sucesso do Gana deu aos apoiadores do mapa motivos para acreditar em um resultado favorável.
O governo do Togo está planejando um evento em Lomé, capital do país, com a Unesco, a União Africana e marcas de tecnologia como o Google Maps, durante o primeiro trimestre do próximo ano, para traçar o plano de implementação da resolução.
‘Para aqueles que perguntam por que agora, eu digo: por que não? Quando olhamos para o mapa-múndi… é hora de mudarmos a narrativa. Chegou a hora de nós, na África, assumirmos a responsabilidade de mudar o que podemos mudar por nós mesmos’, declarou Dussey.



