Dino diz que Cezinha de Madureira usou função parlamentar para sugerir influência sobre ministros

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) teria usado a função parlamentar para transmitir a terceiros a percepção de que tinha influência sobre ministros de tribunais superiores.
A afirmação está na decisão que autorizou uma operação de busca e apreensão contra o deputado, na terceira fase da Operação Transparência.
Segundo Dino, Cezinha e a mulher dele, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, teriam atuado para influenciar ministros até mesmo do Supremo em processos de interesse de clientes da advogada Mariângela Fialek.
De acordo com a decisão, Cezinha teria como função fazer a interlocução diretamente com os ministros.
Dino cita ainda mensagens que indicariam uma interlocução direta do deputado com o ministro Nunes Marques sobre um processo em tramitação no Supremo.
Para o ministro, os diálogos indicam, em uma análise preliminar, que a atuação de Cezinha poderia ter ido além do simples encaminhamento de peças processuais.
A Polícia Federal afirma que identificou um padrão de atuação que se repetiria nos episódios investigados.
Segundo a PF, Mariângela encaminhava ao deputado peças, memoriais ou informações sobre os processos.
Cezinha, então, afirmava que havia “falado”, “despachado” ou “pedido” algo ao ministro.
Na sequência, a advogada cobrava informações sobre o andamento do caso e, paralelamente, eram formalizados contratos com honorários de êxito.
Para a Polícia Federal, os valores seriam incompatíveis com uma simples atuação técnica e estariam vinculados ao resultado dos julgamentos.
Com base nessas informações, Dino autorizou a terceira fase da Operação Transparência, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência junto a tribunais superiores.
Gabinete fica fora das buscas
Os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
Dino autorizou buscas nas residências de Cezinha e no escritório de sua esposa, Valéria. Por outro lado, o ministro negou o pedido para que a Polícia Federal realizasse buscas no gabinete do deputado na Câmara dos Deputados.
Apesar das suspeitas de intermediação de acesso a ministros, a decisão de Dino ressalta que, até o momento, não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos crimes investigados.
A CBN tenta contato com todos os citados e o espaço segue aberto para eventuais manifestações.



