Imagem mostra Alexandre de Moraes e esposa desembarcando de avião ligado a Daniel Vorcaro

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo elemento com a divulgação de uma imagem que mostra o ministro Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci, desembarcando de um avião ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
A imagem registra o casal no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em agosto de 2025, três meses depois de um segundo contrato entre Viviane e o Master, de R$ 50 milhões, segundo aponta a PF. O avião utilizado estava ligado a uma empresa de Vorcaro.
Além das imagens, mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro tratam justamente do uso das aeronaves. Em julho de 2025, pouco mais de um mês antes do voo registrado no Rio, Vorcaro perguntou a Marcos Matta, proprietário da PrimeYou, empresa responsável pela administração dos aviões e helicópteros se Moraes e a mulher estavam usando o serviço. Matta respondeu que o uso das aeronaves estava liberado e afirmou que o casal já havia utilizado aviões e helicópteros.
A divulgação da imagem ocorre em meio a uma série de questões que ainda precisam ser resolvidas pelo Supremo e que ampliaram a tensão entre os próprios ministros. Uma delas é o tratamento dado ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro.
Ministros receberam cópias do material e houve divergências sobre o acesso, a distribuição e a utilização das informações. André Mendonça e Luiz Fux chegaram a solicitar auxílio técnico da Polícia Federal para conseguir acessar o conteúdo.
Permanecem ainda sem solução, o andamento dos inquéritos do Master e do INSS, que estavam com Mendonça e ficaram com Fachin. O presidente da Corte precisa definir ainda o afastamento do diretor-geral da PF, que foi mantido no cargo, mas aguarda análise final da ação.
Com sessões do STF sendo desmarcadas em função da crise institucional, o advogado e doutor em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná, Rodrigo Kanayama, teme uma paralisia da corte.
“Essa paralisia ocorre por vários motivos, né? Eu diria que não é somente por causa desse conflito interno do Supremo, mas também porque os temas são realmente sensíveis. Com esse clima um pouco mais acalorado que nós tivemos nos últimos dias, nós temos um risco até mesmo de não ter quórum nas instituições do Supremo, o que pode gerar também outros problemas para a Corte. Não ter quórum, imagina uma situação também em que nós não temos nenhuma precedência”, diz.
Escritório nega irregularidades
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões, algumas delas com Alexandre de Moraes, mas que em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório.
O escritório Barci de Moraes reitera ainda que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.
O escritório Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões.
Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.
O escritório Barci de Moraes reitera que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.



