Presidente do Água Santa se entrega à polícia após ser alvo de investigação sobre PCC no transporte de SP

O presidente do Água Santa, Paulo Korek, se entregou à polícia na noite deste sábado, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após ser alvo de um mandado de prisão na investigação sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, no transporte público da capital paulista.
Korek, que foi afastado da gestão da A2 Transportes, estava foragido desde quinta-feira, quando a Justiça decretou a prisão temporária. Antes de se apresentar, ele publicou um vídeo nas redes sociais em que negou envolvimento com organizações criminosas e pediu garantias de vida.
‘Eu não tenho envolvimento com crime organizado, não faço parte de nenhuma facção, portanto nunca existiu nenhum tipo de lavagem de dinheiro na conta da A2 e muito menos na conta da Água Santa. E eu vou me entregar, só que eu quero também, quero o Ministério Público e eu quero a Corregedoria, porque eu quero garantias de vida.’
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, investiga a atuação do PCC no sistema de transporte. Segundo a investigação, pelo menos 12 das 22 empresas de ônibus que operam em São Paulo seriam controladas pela facção. O prefeito Ricardo Nunes descartou uma intervenção na A2 Transportes. A empresa também afastou o diretor Júlio Salvador Filho, que está preso, seguindo recomendação de um grupo de trabalho da Prefeitura.
A operação também levou à prisão do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite. Ele é citado em áudios de um homem apontado pelos investigadores como integrante do PCC. Segundo a investigação, Leite seria o dono de fato da Transwolff, empresa que teve o contrato com a Prefeitura cancelado por suposta ligação com o crime organizado, embora o ex-vereador não apareça no quadro societário.
Milton Leite teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia neste sábado. Antes do procedimento, ele recebeu atendimento médico após um mal-estar, mas teve alta depois de exames não apontarem alterações. O ex-vereador foi levado novamente para a prisão em Mogi das Cruzes. Ele havia se entregado na sexta-feira, depois de ser procurado desde quinta.
Na delegacia, Milton Leite negou as acusações e afirmou que pretende provar sua inocência durante o processo.
‘Sou inocente de todas as acusações, eu acredito na justiça, no trabalho da polícia, temos a oportunidade agora de provar tudo que foi dito, a gente tem a oportunidade da contradita pelos meus advogados, a gente vai aguardar essa decisão, pacientemente, temos que respeitar as decisões da justiça, cumprir a decisão, me apresentei conforme prometido, conforme dito, vim no dia que marquei, estou aqui sem nenhum problema.’
Durante buscas em Sorocaba, no interior paulista, a polícia encontrou 280 mil reais e 89 mil dólares em espécie em um imóvel ligado a Milton Leite. No local, também foi encontrada uma passagem secreta que ligava a casa a outra residência.
Milton Leite presidiu a Câmara Municipal de São Paulo quatro vezes e exerceu mandato de vereador por quase 30 anos.



