Em reunião da direita no continente, Trump afirma que 'todos que apoiei venceram' eleições nas Américas

Durante discurso no evento do Escudo das Américas, coalização de países de direita e apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, Trump afirmou que todos os candidatos que apoiou no continente venceram.
Ele falou, inclusive, sobre o caso mais recente, de Abelardo de la Espriella, que venceu na Colômbia. Além disso, citou a Argentina, com a vitória de Javier Milei.
‘Acho que estou com um aproveitamento de nove em nove: todos que apoiei venceram. Tivemos uma grande vitória na Colômbia, como vocês sabem. Tivemos uma grande vitória na Argentina e muitas outras vitórias’, disse.
Trump não citou as eleições no Brasil e também evitou responder sobre o tema ao ser questionado por jornalistas anteriormente.
O escudo, também conhecido como ‘Coalizão das Américas contra os Cartéis’, iniciou com 12 membros e atualmente possui 19, com novas adições nesta reunião, dessa terça (22), à margem da Assembleia Geral da ONU.
Além dos EUA, estão: Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru.
Nesse evento, quatorze países da América Latina e do Caribe assinaram uma ação conjunta para combater 24 organizações criminosas transnacionais, incluindo o PCC e o Comando Vermelho. Eles reconheceram também esses grupos como terroristas.
A iniciativa atende a um pedido do presidente Donald Trump e inclui países vizinhos do Brasil como Argentina, Bolívia, Peru e Paraguai.
Reunidos na coalizão Escudo das Américas, os governos declararam a intenção de aplicar congelamento de bens; barrar vistos e responsabilizar criminalmente apoiadores dos grupos.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Reprodução
Durante o discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano celebrou o alinhamento regional e voltou a comparar os cartéis de drogas ao Estado Islâmico. O líder americano reiterou que usará poder militar no Hemisfério Ocidental, citando a captura de Nicolás Maduro como precedente de intervenção.
Os 15 países anunciaram que vão solicitar formalmente ao Conselho Permanente da OEA a ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), de 1947.
O mecanismo de defesa coletiva permite coordenar ações conjuntas no continente, embora enfrente forte resistência política e diplomática de nações como o Brasil e o México.
Antes, Lula criticou interferência externa na segurança
Presidente Lula durante discurso na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Reprodução
Ao abrir a Assembleia Geral da ONU, momentos antes do discurso de Trump, o presidente Lula disse que o Brasil não vai terceirizar o combate ao PCC e ao Comando Vermelho.
Na tribuna das Nações Unidas, o presidente Lula voltou a defender a soberania nacional e a rechaçar qualquer tentativa de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
‘Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir a população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos’, declarou.
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro Lula citou indiretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em algumas ocasiões.
Ele falou que as ‘ingerências externas em processos eleitorais’ aumentaram. Além disso, defendeu as fronteiras nacionais e um combate conjunto ao crime organizado, com a ‘falta de coordenação’.
O brasileiro declarou que o ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’ e que ‘não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas’, como ocorreu com os EUA.
Além disso, na temática internacional, Lula afirmou que ameaçar um país de extinção, como Trump chegou a fazer com o Irã, não mudaria em nada na guerra. Ele também comentou que o Estreito de Ormuz se tornou no central de forma equivocada.
O brasileiro defendeu que o conflito no Oriente Médio gerou um problema para a economia global.
Ele ainda comentou sobre Cuba, declarando que o embargo feito pelos Estados Unidos era extremamente agressivo.
O presidente brasileiro Lula afirmou que a Organização das Nações Unidades está ‘falhando’ e vive ‘seu momento mais crítico’ em atuar contra as guerras do mundo.
Ele comentou que líderes e os presidentes que possuem assento no Conselho de Segurança da ONU precisam atuar para evitar a situação.
‘O ano de 2025 registrou o mais número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. A guerra é a falência total da política e não a continuação da política por outros meios’.
Presidente brasileiro citou diretamente a guerra na Faixa de Gaza, chamando ataques israelenses de ‘genocídio’.
Lula defendeu negociações para a paz das guerras em meio ao aumento das tensões internacionais. Ao longo do discurso, o presidente afirmou que a ONU precisa recuperar sua capacidade de diálogo e mediação. Para Lula, a organização deve atuar para evitar guerras.
Delegados e autoridades na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Michael M. Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP



