Tropas americanas vão sair de bases no Iraque mais de 20 anos após início da ocupação dos EUA no país

As forças americanas estão prestes a se retirar de suas últimas bases no Iraque, deixando o país onde 4,5 mil de seus camaradas morreram ao longo de mais de 20 anos de guerra. A saída das tropas americanas será comemorada como uma vitória pelo Irã e seus aliados, que agora exercem grande influência no país.
Especialistas em segurança iraquianos alertaram que a retirada poderia dar carta branca a Teerã e seus aliados, além de representar um risco de retorno do grupo terrorista Estado Islâmico.
A medida foi acordada em 2024, durante o governo do presidente Joe Biden, e implementada pela administração do presidente Donald Trump, mesmo em meio à guerra contra o Irã.
‘O Irã tem a ganhar estrategicamente com a saída da coalizão, pois isso elimina uma presença militar que, durante anos, serviu de contrapeso à influência de Teerã no Iraque’, disse Jasim al-Bahadli, analista de segurança iraquiano.
Ele alertou que os grupos de milícias pró-Irã não apenas retratariam a saída como uma vitória para o seu movimento, mas também ‘buscariam traduzir esse ímpeto em maior influência sobre a segurança e a tomada de decisões políticas’.
As forças da coalizão invadiram o Iraque em 2003 e ocuparam o país, travando uma insurgência que durou anos antes de se retirarem em 2011.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Casa Branca
O Reino Unido perdeu um total de 179 militares, homens e mulheres, durante a campanha.
Menos de três anos depois, tropas americanas retornaram para ajudar as forças iraquianas a derrotar o Estado Islâmico em uma grande guerra que ocorreu entre 2014 e 2017.
Embora a eventual retirada das forças americanas seja amplamente popular entre os iraquianos, alguns temem que a medida seja prematura.
‘Acreditamos que o Iraque ainda não está totalmente preparado para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento’, disse Abdulrahman al-Zobaie, um líder tribal sunita em Fallujah, anteriormente um dos postos contra os EUA.
‘Todos os iraquianos aspiram à plena soberania, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída da coalizão liderada pelos EUA, criando um vácuo de poder, é o que todos os iraquianos temem’.



