Associações de imprensa manifestam 'profunda indignação' e citam 'intervenção judicial' após Globo cancelar debate

No texto, as associações manifestaram “profunda indignação” com as medidas judicias tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal Superior Eleitoral nas regras previamente definidas, o que levou ao cancelamento do debate.
“As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos”, traz a nota.
“Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate”, completam as associações no texto.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.
Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO (ABERT)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDITORES DE REVISTAS (ANER)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ)
Globo cancela debate com os candidatos à Presidência da República
O debate dos candidatos à presidência da República, que estava marcado para ocorrer na noite desta quinta-feira (20) na TV Globo foi cancelado. O motivo, segundo a direção da TV, é de insegurança jurídica.
O cancelamento foi anunciado depois de duas decisões, uma do Supremo Tribunal Federal e outra do Tribunal Superior Eleitoral, que alteraram a composição dos debatedores, de quais candidatos seriam convocados ou convidados a participarem desse debate por aqui. O presidente Lula, do PT, já havia anunciado que não aceitaria o convite, ele não viria já ao debate de hoje. No entanto, outras duas decisões mudaram a composição.
Uma delas, do Tribunal Superior Eleitoral, da ministra Estela Aranha, proibiu a TV de exibir o púlpito vazio, onde Lula estaria. Em consequência, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, candidato à presidência, anunciou que não viria ao debate da TV Globo, acusando, segundo Flávio, censura essa possível não exibição do púlpito vazio. Uma outra decisão, essa do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a TV convidasse o candidato Renan Santos, do Missão, e de última hora a TV teria que refazer, então, toda uma estrutura para perguntas, respostas, tempo de tela, e isso causaria uma insegurança jurídica, segundo a direção da TV Globo.
Em nota, a TV Globo diz que tem longa tradição na organização do debate eleitoral e que o propósito é sempre promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Um debate que seria esvaziado, portanto, acaba cancelado, primeira vez que esse debate é cancelado desde a redemocratização.



