Flávio aposta em alianças e Lula prepara mudança de estratégia para o segundo turno

Após o resultado do primeiro turno, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) redesenham suas estratégias para a etapa final da corrida presidencial. Enquanto o candidato do PL aposta na consolidação de uma ampla aliança partidária e no peso de governadores reeleitos, o petista prepara uma mudança de postura, com foco no confronto direto, compromisso com as contas públicas, reformulação interna da campanha e forte apelo aos programas sociais como o Pé-de-meia e o Bolsa Família.
Ministros como José Guimarães e Wellington Dias focam no eleitorado do Nordeste, associando o candidato do PL a possíveis cortes em programas como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida e Mais Médicos.
No segundo dia após o primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro concentra seus esforços em fechar uma super coligação e garantir palanques fortes nos maiores colégios eleitorais do país. O candidato espera respostas do PP, União Brasil, Republicanos, Novo e Podemos. Ele disse que as conversas já estão avançadas.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assumiu um papel central na articulação. E participa do ato de adesão do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na tarde desta terça, em Goiânia.
Tarcísio se reuniu na manhã com o presidente nacional de seu partido, Marcos Pereira, para atrair oficialmente o Republicanos para a chapa de Flávio. A sigla havia optado pela neutralidade no primeiro turno devido a pressões de alas do Nordeste pró-Lula, mas o cenário atual e a influência de Tarcísio devem consolidar o apoio.
O primeiro ato de rua de Flávio no segundo turno deverá ocorrer no seu berço eleitoral, no Rio de Janeiro e no domingo em São Paulo, ao lado de Tarcísio.
A aposta no peso regional se estende a Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL), recordista de votos, assume a coordenação no estado. O ex-governador Romeu Zema (Novo) já declarou apoio a Flávio, mas não há nenhum encontro marcado entre eles.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) e o presidente do PP, Ciro Nogueira, também já declararam apoio. Mas a bancada do PP tomam a decisão oficial hoje à tarde e anuncia amanhã.
Para alinhar todas essas frentes, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou a bancada do partido para uma reunião estratégica nesta quarta-feira.
Do lado petista, a ordem é partir para o confronto, sobretudo nas redes sociais. Já há destaques da campanha do primeiro turno sendo escalados.
Aliados já iniciaram o embate direto. A primeira-dama, Janja da Silva, resgatou vídeos de Flávio Bolsonaro quando ele disse para a esposa Fernanda Bolsonaro segurar a onda, para criticar sua postura em relação às mulheres. Há também um recorte de uma criança segurando uma arma falsa.
Para acenar ao mercado e ao centro, o vice-presidente Geraldo Alckmin ganhará protagonismo na defesa do compromisso com as contas públicas e o combate a privilégios, enquanto os ministros Simone Tebet e Carlos Fávaro atuarão como pontes de diálogo com o setor produtivo.
Outra ala da campanha sugere ainda propostas voltadas à segurança pública e à reforma do Judiciário.
Após evitar debates no primeiro turno, Lula indicou que vai marcar presença nos confrontos e intensificando o “corpo a corpo” nos estados com maiores índices de abstenção. Eles estão mapeando as áreas de votação onde é possível ganhar e reverter votos.
Além disso, a campanha joga alto no Congresso Nacional esta semana, pressionando pela aprovação do fim da escala de trabalho 6×1.
Internamente, a campanha de Lula avalia que o candidato foi prejudicado pelo que ele próprio classificou como “promiscuidade do STF” durante a crise institucional recente. Além disso, aliados do presidente acusam as chamadas Big Techs de terem interferido no processo eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.



