EUA e Israel elaboram planos para atacar Irã após eleições de meio de mandato, afirma NYT

Os militares dos Estados Unidos e de Israel estão desenvolvendo ‘planos específicos’ para retomar os ataques contra o Irã após as eleições de meio de mandato de 3 de novembro, segundo reportagem do New York Times, que cita autoridades americanas e outras fontes familiarizadas com o assunto.
De acordo com o jornal, os alvos prováveis dessa nova ofensiva incluem a infraestrutura energética iraniana, instalações nucleares e arsenais de mísseis e drones.
No entanto, o New York Times acrescenta que ainda não se sabe se o presidente dos EUA, Donald Trump, autorizará tais ataques.
Em meio a isso, a Guarda Revolucionária Iraniana anunciou ter atacado quatro navios que ‘cometeram violações, utilizaram uma rota ilegal no Estreito de Ormuz e transferiram petróleo de uma embarcação para outra no Golfo Pérsico’.
Segundo o Irã, os navios estão agora em chamas. A Guarda Revolucionária também ameaçou os Estados Unidos.
‘Os militares dos EUA devem entender que, se essa tendência continuar, o alcance do conflito se expandirá e atingirá as bases dos agressores na região’.
Autoridades e políticos do Irã passam a defender arma nuclear após novas ameaças dos EUA
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. — Foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP
Novos políticos e autoridades do Irã exigem que o país desenvolva armas nucleares, enquanto a guerra com os Estados Unidos e Israel continua.
No Irã, importantes legisladores, analistas e políticos estão pedindo que o país abandone formalmente o Tratado Internacional de Não Proliferação Nuclear e abrace uma corrida desenfreada para criar uma arma atômica após os sete meses de guerra.
‘Os mais recentes confrontos militares mostraram que obter armas nucleares para o Irã não é uma ambição, mas uma necessidade mais importante do que o pão’, escreveu Davoud Modarresian, um ativista próximo às forças linha-dura, no início deste mês.
Os líderes iranianos evitaram a todo momento dizer da vontade ou necessidade de desenvolver armas nucleares, desde que o ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, emitiu uma fatwa contra o desenvolvimento de armas atômicas em 2005.
Desde então, as autoridades têm afirmado que qualquer enriquecimento atômico ocorrido dentro do Irã se destinava ao desenvolvimento de energia nuclear doméstica e não à produção de bombas, apesar das dúvidas de grupos de vigilância nuclear, bem como de líderes americanos e israelenses.
Após a morte de Khamenei no início da guerra, aumentaram os apelos por um Irã com armas nucleares, e o sucessor do aiatolá, Mojtaba Khamenei, ainda não se pronunciou sobre se desviaria do caminho de seu pai, se mantendo afastado da vida pública.
Caso ele apoie o desenvolvimento de armas nucleares, os líderes do Irã não terão outra escolha senão seguir o exemplo, afirmou Hassan Ghashghavi, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do parlamento.
Ghashghavi, um parlamentar linha-dura, afirmou que o Irã precisava de uma forte ferramenta de ‘dissuasão’ para garantir que nenhum país pudesse voltar a travar abertamente uma guerra convencional contra o regime, informou o Financial Times.
Outra fonte interna do regime disse ao veículo que o Irã precisa seguir o exemplo da Coreia do Norte e desenvolver armas nucleares para acabar com a interferência estrangeira no país, acrescentando que o apoio à bomba aumentou ‘de quase zero para mais de 50%’ após o início da guerra.
Alguns radicais chegaram a usar as ameaças do presidente Trump de destruir o Irã para alimentar a necessidade da bomba atômica, rotulando os EUA como uma ameaça à existência do país.
O estado atual do programa nuclear iraniano permanece incerto após o país ter expulsado os monitores da ONU no início da guerra, quando os EUA e Israel bombardearam as instalações atômicas do país.
Autoridades americanas afirmaram repetidamente que mais de 900 libras de urânio altamente enriquecido do Irã foram destruídas e enterradas em escombros.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante comício no Texas. — Foto: MANDEL NGAN/AFP



