Espanha decreta três dias de luto após colisão entre trens que deixou ao menos 69 mortos

A Espanha decretou nesta quinta-feira (29) três dias de luto oficial após a colisão entre dois trens de alta velocidade ocorrida na manhã de quarta-feira (28). O segundo grande acidente do ano na rede ferroviária espanhola deixou pelo menos 69 mortos e mais de 100 feridos na região de Castela-Mancha, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri.
As equipes de resgate continuam trabalhando entre os vagões destruídos, enquanto familiares aguardam a identificação das vítimas.
As investigações indicam que uma falha informática interrompeu a circulação ferroviária no trecho. O foco da apuração, porém, está na autorização para que um trem da estatal Renfe voltasse a operar após a pane. Pouco depois, a composição colidiu na traseira de um trem da empresa Iryo, que estava parado na linha.
O governo espanhol investiga a possibilidade de falha humana ou erro operacional na decisão de liberar a circulação, hipótese considerada equivocada pelo ministro dos Transportes, Óscar Puente.
Durante visita ao local da tragédia, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a prioridade é esclarecer, com total transparência, as causas do acidente e identificar eventuais responsabilidades. A declaração ocorre em meio à pressão sobre as autoridades ferroviárias e ao aumento dos questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados após a pane no sistema de controle da circulação dos trens.
O desastre provocou forte comoção e indignação na Espanha. Nas redes sociais, na imprensa e entre usuários do transporte ferroviário, multiplicam-se as dúvidas sobre a confiabilidade de uma malha que era considerada uma das mais modernas da Europa. O acidente também reacendeu críticas à gestão do sistema e ao controle operacional das linhas de alta velocidade.
A tragédia ocorre menos de dez meses após outro grave acidente ferroviário no país. Em 18 de janeiro de 2026, uma colisão entre dois trens de alta velocidade na Andaluzia matou 46 pessoas e já havia levantado questionamentos sobre a segurança da rede ferroviária espanhola.
O acidente acontece ainda a um mês das eleições gerais antecipadas, convocadas para 29 de novembro pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. O governo já vinha sendo alvo de críticas da oposição desde o desastre na Andaluzia. Nesta quinta-feira, Sánchez afirmou que a investigação irá “até o fim” e garantiu que, se houver negligência, os responsáveis serão identificados.
Apesar da tragédia, a greve dos maquinistas da estatal Renfe segue mantida. Segundo o sindicato da categoria, uma das principais reivindicações dos trabalhadores é justamente o reforço da segurança ferroviária na Espanha.



