Pressão de Trump por Groenlândia pode 'implodir a OTAN', avalia especialista

A pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre países europeus para viabilizar a compra da Groenlândia pode levar ao colapso da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), avalia o professor de Direito Internacional Manuel Furriella, reitor da Universidade Católica de Brasília.
Em entrevista ao Jornal da CBN, Furriella afirmou que o conflito entre aliados rompe um princípio básico da aliança militar.
“Isso implodiria a OTAN. Uma aliança desse tipo perde completamente o sentido quando o principal integrante passa a ameaçar ou pressionar diretamente o segundo maior bloco que a compõe”, disse.
Segundo o especialista, o caso é ainda mais sensível porque a Groenlândia é um território autônomo pertencente à Dinamarca, país-membro da OTAN. Em um cenário extremo, qualquer agressão ou coerção direta poderia, em tese, acionar o artigo 5º do tratado, que prevê defesa coletiva em caso de ataque a um dos integrantes. “Seria uma situação absurda: aliados obrigados a reagir contra os próprios Estados Unidos”, afirmou.
Donald Trump anunciou neste sábado (17) que vai aplicar uma tarifa de 10% sobre alguns países da Europa a partir do dia primeiro de fevereiro, caso essas nações sejam contrárias ao plano do governo dele de comprar a Groenlândia.
Dinamarca, França, Alemanha e Reino Unido estão entre os países mencionados por Trump, que tem ameaçado anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. Ele justifica que o território é “vital” para o Domo de Ouro, o escudo antimísseis que o republicano deseja construir.
Para Furriella, embora o risco imediato de confronto militar seja baixo, o uso de tarifas comerciais com objetivo político representa uma escalada perigosa.
“Não estamos falando de uma disputa econômica comum. As tarifas viram instrumento de coerção geopolítica, o que aumenta o nível de instabilidade e abre precedentes muito graves”, avaliou.
Como reação, a União Europeia realizará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir uma resposta à pressão do presidente dos Estados Unidos. “A convocação de uma reunião de emergência mostra que a União Europeia trata a ameaça como algo sério e estrutural. Não é apenas uma declaração política, mas um movimento que pode afetar alianças, comércio e segurança internacional”, afirmou Furriella.








