PGR arquiva pedido para tirar Toffoli da relatoria do caso Banco Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou nesta quinta-feira (22) o pedido que solicitava a retirada do ministro Dias Toffoli da relatoria das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A representação pedia que o ministro fosse considerado suspeito para seguir à frente do caso, mas foi rejeitada por questões regimentais.
Segundo Gonet, o prazo de cinco dias para a apresentação de pedido de suspeição já havia expirado. A solicitação se baseava em uma viagem feita por Toffoli ao Peru, em 2023, para acompanhar a final da Copa Libertadores, ao lado do empresário Luiz Osvaldo Pastore, e de um advogado que atua em outro processo envolvendo o Banco Master.
Resort no centro de nova polêmica
Apesar do arquivamento, o mal-estar em torno da permanência de Toffoli na relatoria tem se intensificado dentro do STF. Ministros avaliam que a pressão sobre a Corte aumentou diante da divulgação de novas informações que apontam relações próximas do ministro com empresários e executivos do setor financeiro.
Um vídeo obtido pelo portal Metrópoles mostra Toffoli utilizando o resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, para receber banqueiros, empresários e políticos. Em imagens de 2023, o ministro aparece ao lado de Pastore e do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que mantém relação próxima com integrantes do Judiciário, do Executivo e do Tribunal de Contas da União.
O resort está no centro da crise. Reportagem publicada nests quinta pelo jornal O Globo revela o pagamento de diárias para seguranças do ministro no local e aponta que Toffoli esteve no empreendimento por pelo menos 128 dias. O empreendimento também já teve participação da Maridt Participações, empresa ligada aos irmãos do ministro, que chegou a deter cerca de um terço do negócio.
Segundo o Estadão, a sede formal da empresa, em Marília, funciona em uma casa simples, com sinais de deterioração. A cunhada de Toffoli afirmou ao jornal que desconhece a empresa e negou qualquer vínculo com o resort no Paraná.
Diante do desgaste crescente, o Supremo segue articulando internamente uma saída para reduzir os impactos das polêmicas envolvendo o ministro. No campo político, o caso também acelerou discussões no Senado. Avança a chamada PEC do Banco Central, que amplia a autonomia da instituição e pode incluir a fiscalização de fundos de investimento.
O relator da proposta, senador Plínio Valério, aceitou uma emenda apresentada pelo líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, incorporando ao texto a atribuição de fiscalização dos fundos pelo Banco Central — uma demanda reforçada após o escândalo envolvendo o Banco Master.








