janeiro 31, 2026

Investimento em Segurança e alta de salários pressionam taxas de condomínio no país


Investimentos em equipamentos de segurança e aumento no salário de colaboradores são alguns dos fatores que estão pressionando o valor das taxas de condomínio no país. Em 2025, diversos estados tiveram um aumento de mais que o dobro da inflação do Brasil, que fechou o ano em 4,26%, de acordo com o IBGE.

Dois dos estados com os crescimentos mais expressivos foram o Maranhão, com mais de 16% – a maior taxa do país – e o Rio de Janeiro, que chegou a 11,70%. Os reajustes em Minas Gerais, Bahia, Ceará e Distrito Federal ficaram em torno de 10%.

Já em São Paulo, o reajuste foi mais modesto, de 6,4% – ainda assim, acima da inflação.

Os dados são de uma pesquisa da Superlógica, empresa que atua na consultoria a condomínios e imobiliárias.

O advogado especialista em condomínios e comentarista da CBN, Marcio Rachkorsky, explica que, em geral, os aumentos estão acontecendo por investimentos em recursos tecnológicos de vigilância, por exemplo.

“Tem muito a questão de segurança. Os prédios querem ficar mais seguros, envolvendo também bastante tecnologia, instalação de câmeras, inteligência artificial, uma série de coisas. Isso custa dinheiro, não só a instalação, mas também a manutenção disso. É um custo que antes era menor, e que hoje em dia é maior. O condomínio não teve um aumento sem propósito, um aumento por má gestão ou qualquer outra coisa. Era algo que se fazia necessário e que ainda vai continuar como tendência nos próximos tempos até que o valor fique compatível pelo o que as pessoas esperam ter como experiência.”

Com as altas taxas, tem gente que tomou uma decisão mais drástica: a de se mudar. A aposentada Katia Vargas teve que sair do condomínio em que morava em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Depois de muitos aumentos e poucos benefícios no prédio, ela resolveu vender o apartamento.

“Eu estava pagando quase R$ 2 mil sem ter acesso a uma piscina. Não tinha porteiro à noite, o que gerava uma sensação de insegurança muito grande. Era um prédio pequeno, com poucas unidades. A gente ficava com uma parte muito grande da divisão do condomínio. Eu paguei durante três meses cotas extras em que eu chegava a pagar R$ 4,5 mil no total. Eu desisti e resolvi vender o apartamento e me mudar para um prédio maior.”

A reclamação da Kátia vai ao encontro da opinião do economista responsável pela pesquisa da Superlógica, João Baroni. Para ele, os aumentos nos boletos de condomínio precisam ser equivalentes às melhorias. Ele explica que esse é um fator que deve deixar os moradores atentos.

“Acho que todo condômino deveria avaliar se isso de fato está refletindo numa melhoria na condição de vida dele, se eventualmente está subindo a táxi condominial, mas a pessoa está tendo acesso a um serviço que ela não tinha ou a uma infraestrutura melhor. A preocupação é quando, de fato, os preços sobem e não tem uma correspondência clara sobre o benefício disso para as pessoas. Isso é uma preocupação.”

Apesar da alta nas taxas, a inadimplência apresentou uma leve queda. O atraso de pagamento de condôminos costuma ser um dos fatores que também pressionam o preço dos condomínios.

Se o boleto mais caro dói no bolso, há formas de conter os aumentos. É o que vem tentando fazer o síndico profissional Alexandre Bernardes, que administra quatro condomínios em Divinópolis, em Minas Gerais. Ele tem adotado medidas para tentar reduzir custos compartilhados entre os moradores.

“Nós temos feito algumas ações para tentar reduzir esse impacto. A principal, que não são todos os condomínios que poderiam adotar e que exige um estudo técnico, é a portaria remota, com redução do departamento pessoal. [Também é possível] Tentar tornar o condomínio algo sustentável, com placas fotovoltaicas para reduzir o consumo de energia da área comum, um poço artesiano, lavanderia compartilhada, porque muitos condomínios não possuem água individualizada. Uma lavanderia compartilhada, nesse caso, ajudaria pela redução do consumo de água.”

A pergunta que fica é: até onde vai o aumento das taxas? Marcio Rachkorsky acredita que os custos com funcionários ainda vão pressionar os preços por mais tempo:

“‘Esse ano vai continuar e, provavelmente, nos próximos dois, três anos, o condomínio vai continuar aumentando. Porém, isso não é um problema. Na verdade, é uma mudança de postura e algumas coisas feitas pela necessidade. Geralmente, mais da metade dos custos de um condomínio, às vezes até 70% do custo, é com mão de obra. E a mão de obra está tendo um aumento significativo de salário. Obviamente, isso vai impactar diretamente no condomínio, o que é bom, porque essas pessoas tinham um salário muito defasado.”

Além disso, de acordo com especialistas, condomínios cada vez mais apostam em investimentos na infraestrutura dos prédios, o que requer mais caixa.

E, quando se fala de dinheiro, é sempre importante lembrar: o morador tem o direito de fiscalizar a forma como o condomínio está sendo administrado. Estar presente nas assembleias gerais e ficar de olho nos balanços divulgados é essencial para evitar qualquer problema que, no futuro, possa cair na conta de todos.



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