fevereiro 6, 2026

Brasil busca primeira medalha e leva delegação recorde à Olimpíada de Inverno


Eles vão em busca de uma medalha inédita na competição. Os esportes em que o Brasil estará presente são bobsled, esqui alpino, esqui cross-country, skeleton e snowboard.

O número de atletas brasileiros na Olimpíada é recorde. São cinco a mais na comparação com a equipe que disputou os Jogos de Pequim, em 2022.

Esqui alpino — Foto: Rafael Bello/COB

As maiores esperanças de medalha são Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino; Nicole Silveira, do skeleton; e Patrick Burgener, do snowboard. Os três já estiveram em pódios de torneios mundiais.

Lucas é filho de pai norueguês e mãe brasileira. Ele foi campeão da Copa do Mundo de esqui alpino em 2023, quando ainda defendia a Noruega, e não esconde o orgulho em representar o Brasil agora:

“É uma honra imensa. Eu sou muito grato por essa responsabilidade. O Brasil não está aqui para participar. O Brasil está aqui para fazer a diferença. Tamo junto. Vamo Brasil!”

O melhor resultado da história do Brasil em Olimpíada de Inverno foi conquistado 20 anos atrás, em Turim — também na Itália. Na ocasião, Isabel Clark ficou em nono lugar no snowboard cross.

Na última edição, na China, os brasileiros conquistaram dois resultados inéditos no gelo: a melhor colocação no bobsled masculino — 20º lugar — e a décima terceira colocação no skeleton, com Nicole Silveira, o melhor resultado do Brasil em provas de gelo dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Skeleton — Foto: Alexandre Castello Branco/COB

Um pódio nos Jogos pode representar vários títulos ao mesmo tempo: a de primeira medalha do Brasil, da América Latina e de um país tropical na competição.

Segundo o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Marco La Porta, o trabalho da entidade tem sido feito de forma cuidadosa e com o objetivo de tirar o máximo dos atletas:

“Essa preparação final — e montagem da logística dos atletas em Milão e Cortina — é feita para que o atleta não perca a medalha. A gente não trabalha para que o atleta ganhe. É para que não perca. Então a gente não pode chegar no momento que o atleta termina a prova e falar assim: ‘Puxa, se eu tivesse feito de forma diferente, eu poderia ter ganhado a medalha’. Não pode faltar nada. É isso que a gente tem feito. A gente senta com a Confederação de Neve, conversa com a Confederação de Gelo, pega os principais atletas, mapeia toda a preparação dos atletas que estão se classificando e tenta traçar esse caminho para que não falte apoio para que o atleta possa preparar adequadamente.”

Marco La Porta também destaca a necessidade de um grupo mesclado, com atletas experientes e novatos, para que a pressão para os mais jovens seja menor.

Entre os 15 integrantes da delegação brasileira — incluindo um reserva —, sete são estreantes na competição. É o caso da Alice Padilha, do esqui alpino. Ela tem 18 anos de idade e está em atividade desde 2023.

Alice conta que a expectativa está alta para a Olimpíada:

“Eu quero aproveitar o máximo esse momento. É minha primeira vez nos Jogos. Tudo ainda muito novo para mim, mas muito legal usar a camisa do Brasil.”

O Time Brasil também conta com uma reestreia. É o caso de Davidson de Souza, do bobsled.

Ele foi atleta reserva nos Jogos de 2014 e, depois disso, se mudou para o Canadá. Davidson obteve a cidadania local e defendeu o país norte-americano entre 2022 e 2023.

No fim de 2024, ele sofreu um grave acidente de trenó durante um treino e teve uma fratura no fêmur, além de rompimentos de músculos nas pernas.

A previsão de dois anos de recuperação dada pela cirurgiã foi apenas um pequeno obstáculo diante do desejo de Davidson de voltar a defender o Brasil na Olimpíada de Inverno de 2026:

“Como um brasileiro que não desiste nunca, eu tive que discordar do que ela falou e começar a trabalhar já em seguida assim que eu acordei da cirurgia. Duas horas, três horas depois, eu já pedi o andador que estava ali do meu lado e comecei a trabalhar, porque eu já tinha decidido que ia competir pelo Brasil novamente. Eu nunca ia aceitar que aquela missão terminasse daquela forma. Comecei a trabalhar e eu tinha mais ou menos 12 meses para poder estar aqui contar essa história para vocês.”

Agora recuperado, Davidson de Souza faz parte da equipe de bobsled que vai representar o Brasil.

Bobsled — Foto: Marina Ziehe/COB

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 ocorrem até o dia 22 de fevereiro, na Itália. Esta é a 25ª edição do evento, que existe desde 1924.

Ao todo, são 2.900 atletas, de mais de 90 Comitês Olímpicos Nacionais, e 116 provas que valem medalhas.

A participação do Brasil começa na próxima terça-feira (10).



Source link

Visited 1 times, 1 visit(s) today