fevereiro 14, 2026

Após um ano, entenda o que mudou com a lei que proíbe celulares em escolas


Um ano após a lei que proibiu o uso de celulares nas escolas, muita coisa mudou. A hora do recreio, antes ocupada por telas e redes sociais, ganhou alternativas mais dinâmicas: jogos de tabuleiro, dominó, cartas, bolas, e até instrumentos musicais. Em sala de aula, mais concentração e foco, levando a melhores notas. Uma pesquisa feita pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, iniciativa da Universidade de Stanford, mostrou que mais de 80% dos estudantes brasileiros têm prestado mais atenção nas aulas.

Tiago Diana, diretor de uma escola particular em Brasília que contempla da educação infantil ao ensino médio, destaca que o impacto é maior entre os adolescentes, onde hoje, o rendimento acadêmico é mais expressivo. Ele conta que, no início da adaptação, foram identificados até mesmo casos de dependência das telas:

“Na escola inteira, eu tive alguns casos – e eles foram muito pontuais – que ficar sem o celular sinalizou com muita força para a família que aquele era um caso já bem patológico. De estudantes que sofreram quase uma abstinência. Isso foi bem pontual. E isso ajudou essa família a identificar um comportamento compulsivo em relação à tela. A família não tinha percebido, achava que era uma coisa simples. E esse desenrolar da escola fez a família tratar disso de uma forma muito mais séria, clínica, com o acompanhamento que deveria ter de fato.”

A presidente-executiva da OnG Todos Pela Educação, Priscila Cruz, reforça que, mais do que um bom desempenho em sala de aula, a diminuição das telas tem sido fundamental para que os jovens aprendam a socializar.

“A escola é um lugar de aprendizado, é um lugar em que as crianças aprendem a conviver com outras crianças e outros adultos, então ficar fora do celular é muito importante para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico das crianças. Elas passam a praticar esportes, elas passam a conviver, a conversar, interagir, olhar no olho. Então isso é muito importante.”

No Brasil, ainda há poucos dados que avaliem o real impacto da proibição dos celulares nas escolas. Por isso, o Ministério da Educação anunciou que fará uma pesquisa nacional no primeiro semestre de 2026 para analisar os desdobramentos da lei.

Países que implementaram restrições há mais tempo, já apresentam resultados consolidados. Nos Estados Unidos, a Flórida adotou a medida em maio de 2023 e, após quase dois anos, estudos apontaram para uma melhora gradual no desempenho dos estudantes, com notas maiores e um menor número de faltas.

A Universidade de Birmingham, no Reino Unido, também fez uma pesquisa sobre o tema, que indicou que apenas o banimento das telas nas escolas não é suficiente para melhorar o bem-estar e reduzir a ansiedade dos jovens. Os pais também precisam estar envolvidos no controle do uso de redes sociais em casa.

Mas, e no Ensino Superior? Há quem diga que esse seria o próximo passo. Na avaliação de Catarina de Almeida, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da UnB, a questão é complexa por envolver adultos, e por isso, deve pesar o bom senso em sala de aula.

“Quando a gente pega a questão da restrição lá na Educação Básica, você está lidando com crianças e adolescentes. Quem responde por eles são os pais ou o Estado ou todos nós. Quando você está falando da universidade, você está lidando com adultos. Então, eu acredito muito mais, na Educação Superior do trabalho da conscientização, do que da proibição. Porque, no fundo, no fundo, o que a gente quer é que esses alunos oriundos da Educação Básica que daqui a pouco chegarão na Educação Superior, já cheguem com uma outra lógica, com uma outra cultura.”

Especialistas avaliam que agora é hora dos pais também darem o exemplo, reduzindo o uso das telas em casa. O objetivo é evitar que os jovens compensem o tempo sem celular na escola, ficando grudados nos aparelhos em casa. Para quem tem dúvidas, o MEC disponibilizou um guia prático voltado a explicar a lei e sugerir boas práticas para equilibrar a tecnologia no dia a dia. As sugestões vão desde a priorização do momento offline em família aos limites de tempo de tela combinados com os filhos.



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