Portuguesa envia à polícia nomes de autores de ofensas racistas contra goleiro Hugo Souza

A Portuguesa informou, na tarde desta terça-feira (24), que identificou os autores das ofensas racistas dirigidas ao goleiro Hugo Souza, do Corinthians, durante partida realizada no último domingo (22), no estádio do Canindé, em São Paulo.
Segundo o clube, os envolvidos foram excluídos do quadro de sócios-torcedores e terão as identidades encaminhadas às autoridades competentes para investigação. A Portuguesa reforçou que repudia os atos e afirmou que as manifestações não representam os valores da instituição nem de sua torcida, destacando que não tolera qualquer tipo de comportamento discriminatório.
O caso ocorreu após a vitória do Corinthians que garantiu a classificação para as semifinais do Campeonato Paulista. Hugo Souza foi um dos destaques da partida ao defender três cobranças de pênalti e, na saída do gramado, acabou alvo de ofensas racistas feitas por dois torcedores. Entre as expressões relatadas estão termos como “piolento”, “favelado”, “sem dente” e comentários para que o goleiro cortasse o cabelo.
Hugo Souza, goleiro do Corinthians — Foto: Ronaldo Barreto/Thenews2/Agência O Globo
Em nota na segunda-feira (23), Hugo Souza afirmou que trata-se de “uma situação grave, que ultrapassa qualquer limite esportivo e atinge princípios fundamentais de respeito, dignidade e igualdade”. Ele ressaltou que o racismo é crime e precisa ser tratado com a seriedade que exige.
O jogador enfatiza que episódios como esse não podem ser relativizados, naturalizados ou ignorados. O goleiro destacou ainda que essa é uma realidade enfrentada diariamente por muitas pessoas pretas, dentro e fora do esporte.
Por fim, Hugo Souza disse esperar que o caso seja apurado com rigor na esfera jurídica e que medidas exemplares sejam tomadas. Segundo o jogador, o combate ao racismo é uma responsabilidade de todos.
O que dizem as outras instituições?
Na segunda-feira, o Corinthians já havia se manifestado em nota oficial, repudiando as ofensas e classificando as declarações como incompatíveis com os valores do esporte e da sociedade. O clube também cobrou formalmente a Federação Paulista de Futebol (FPF), pedindo a apuração dos fatos, a identificação dos responsáveis e a aplicação das sanções cabíveis.
Já a FPF afirmou, também na segunda, confiar que as autoridades investiguem “mais este crime de preconceito” cometido em um estádio do Estado de São Paulo e classificou como inadmissível que praças esportivas continuem sendo palco de intolerância e racismo sem a devida punição aos responsáveis.
A FPF reforçou ainda que manifestações racistas, assim como qualquer forma de discriminação, são inaceitáveis e não serão toleradas.








