Antes de deixar secretaria geral da ONU, Guterres defende assento da África e critica ataques a Gaza

Em seu último discurso como secretário geral na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidades, António Guterres defendeu um assento para a África no Conselho de Segurança da ONU e criticou a guerra em Gaza e os ataques israelenses.
‘O Conselho de Segurança foi feito após a 2ª Guerra Mundial, mas o mundo mudou significativamente desde então. A África não tem representatividade no Conselho, e o Conselho de Segurança da ONU do século XXI sem um lugar africano no Conselho de Segurança é indefensável’, declarou.
O mandato de Guterres acaba em 31 de dezembro de 2026. No entanto, a eleição para um novo secretário acontecerá durante a Assembleia. Um novo secretário assumirá o cargo em 2027.
António assumiu em 2017 e foi reeleito em 2021.
No discurso, ele ainda defendeu a solução de dois estados entre Israel e Palestina, recebendo muitos aplausos dos presentes. E chamou os ataques em Gaza de ‘genocídio’.
Apesar disso, a delegação dos Estados Unidos não se manifestou.
Delegados e autoridades na Assembleia Geral da ONU. — Foto: Michael M. Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Guterres critica também a guerra na Ucrânia e os bombardeios contra infraestrutura crítica em ambos os países.
O secretário diz que a ONU foi fundando com base na realidade pós-Segunda Guerra Mundial.
Segundo ele, ‘as fissuras em nosso mundo estão se aprofundando’.
Em seu discurso, Guterres apontou para os potenciais perigos da inteligência artificial, em meio a crescentes preocupações com a controversa tecnologia, bem como com os riscos das mudanças climáticas.
‘Os humanos estão cada vez mais entregando poder às máquinas, com agentes artificiais agindo de forma descontrolada’, disse ele.
Armas autônomas com inteligência artificial estão deixando de ser ‘ficção científica para se tornarem realidade militar’, acrescentou.
‘No entanto, nossas instituições e sistemas de governança continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma era em grande parte passada. Esse é o principal desafio que enfrentamos. Justamente no momento em que a humanidade se depara com uma convergência sem precedentes de ameaças’, continuou.
Ele completou dizendo que o ‘poder militar por si só não pode garantir a paz, destacando a situação difícil dos civis em conflitos no Oriente Médio, Sudão, Ucrânia e outras nações.



