dezembro 27, 2025

Correr mais cedo, roupa UV, ou até esteira; saiba estratégias de corredores para driblar o calor do verão


Em 2025, o economista carioca André Amorim realizou um dos seus grandes objetivos. Depois de anos de treino, conseguiu completar uma maratona — de 42 quilômetros. A prova foi em agosto, em pleno inverno, e a temperatura no dia não passava dos 15 graus. Mas aí chegou o verão, que deixou tudo mais difícil e bagunçou a rotina de treinos.

‘Estou com os treinos meio atrasados da semana passada. Era pra ter feito mais do que fiz, porque em alguns dias não consegui me organizar direito pra correr tão cedo ou no fim do dia. Aí realmente me deu uma desmotivada. No inverno, eu noto que sou muito mais regular com os treinos. Várias vezes também, durante essa época do ano, eu corro dentro da academia, na esteira mesmo. Eu não gosto tanto quanto na rua, mas acaba sendo mais tranquilo. Mas, hoje em dia, já me sinto mais confortável correndo no verão do que, por exemplo, há alguns anos. Acho que o corpo vai se acostumando’, conta André.

Há quem ache que a temporada de calor combina com esporte, mas quem gosta de correr sabe que o sol e o vento quente não são bons companheiros. O verão, que começou em 21 de dezembro, já chegou trazendo calor para as principais cidades do país, e a expectativa do Inmet e do Inpe é que as temperaturas fiquem acima da média histórica, ao longo dos próximos meses, na maior parte do Brasil.

Como fazer para manter o treino em dia, então? Uma das estratégias mais comuns pra driblar o calor é correr de manhã bem cedo. Mas isso nem sempre é fácil. Para a atriz Juliana Carrano, às vezes, o jeito é ficar na esteira mesmo.

“O que eu tenho feito é correr mais cedo, o que em alguns dias é possível, mas nem sempre. Dá 8 horas da manhã já faz 30 graus! É muito quente! Então, tenho feito treinos mais curtos, com mais água, com roupas mais leves e tênis mais leves. E, se for mais tarde, eu tenho feito treinos na esteira. Na semana passada mesmo, eu tinha um treino de 8 km para fazer. Eu fiz 4km no sol e não aguentei mais. Voltei e fiz o resto na esteira”, conta Juliana.

Correr à noite também é uma opção. O publicitário Michel Oliveira, que também que corre junto com o André, do início da reportagem, diz que tem sofrido para treinar de dia, e que muita gente está lotando a orla de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde ele mora, para se exercitar de noite.

‘Já me senti um pouquinho tonto, e acho que os próximos dias vão ser piores. Eu evito também correr se estiver muito, muito quente. No horário da noite dá para correr bem, mas o calçadão tem ficado muito cheio. Eu, particularmente, não gosto de correr tendo que desviar das pessoas. Como eu também faço vôlei na praia, às vezes eu saio às 23h30 da areia, e tenho visto uma galera começando a correr nesse horário. É uma coisa que eu não tinha visto antes, porque muita gente tinha medo de correr nesse horário, mas agora estou vendo muito’, relata Michel.

Mas além do desconforto, a corrida no calorão também traz riscos à saúde. O médico Fabio Peralta, presidente da Sociedade de Medicina do Exercício e do Esporte do Rio de Janeiro, explica que o principal problema é o aumento excessivo da temperatura interna do corpo.

‘A corrida e o exercício, de forma geral, já são produtores de calor. Quando a gente já está num ambiente quente, isso é potencializado e dificulta muitos nossos mecanismos de termorregulação. O corpo precisa de uma ‘temperatura ótima’, e ela não pode estar muito distante de uma faixa média em que o organismo funciona”, explica o especialista’.

Entre as possíveis consequências, estão câimbras, enjoo e tonturas. Para evitar, o médico recomenda fugir dos horários de maior calor, diminuir a intensidade do treino e, claro, se hidratar – com água ou isotônicos. Também é importante caprichar no protetor solar, durante o dia. O militar Lucas Poeys segue essas recomendações à risca, mesmo que tenha que diminuir o “pace”, termo que os corredores usam para falar do ritmo durante o treino:

“Eu aplico estratégias de termorregulação na corrida. Então, prioritariamente, eu corro no início da manhã ou no fim da tarde, reduzo o pace para manter uma frequência cardíaca numa zona mais segura e vou ajustando a intensidade pelo esforço percebido, e não pelo ritmo. No calor, essa adaptação fisiológica deve vir antes do desempenho.”

Para quem quer tirar as resoluções de ano novo do papel e começar a correr em 2026, a dica é fazer como o Lucas e respeitar os limites do corpo. Se estiver quente demais, é melhor deixar o treino para outro momento, ou optar pela esteira. Na dúvida, também sempre vale procurar orientação profissional. Assim, quando os dias mais frescos chegarem, você já vai estar pronto para explorar todo o seu potencial no esporte.



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