Educar para não violentar: o desafio de romper o ciclo da masculinidade patriarcal

Com a alta dos números de feminicídios no Brasil, o debate sobre meios de prevenção à essas fatalidade se tornou essencial. Antes de punir, educar meninos desde cedo é essencial para o combate à violência contra a mulher.
Tornar-se homem em uma sociedade patriarcal significa assumir valores que o levam a se fechar em si mesmo. O alerta é de Sérgio Barbosa — professor de Filosofia e gestor de grupos para homens autores de violência — em entrevista ao Estúdio CBN, que contou também com a participação de Tiago Koch, idealizador do projeto ‘Homem Paterno’.
“É assumir alguns valores como virilidade e risco, uma força que geralmente todo e qualquer menino – principalmente na sua adolescência – tem que manifestar para mostrar para os outros que ele é capaz, que ele é homem”, explicou Sérgio.
Tiago abordou o conceito de ‘caixa dos homens’, amplamente discutido por quem estuda questões de gênero, para exemplificar o que já se espera de um menino ao se tornar homem: uma série de padrões de comportamento a serem replicados em busca de validação social.
“É dito para esse menino: ‘Olha, a partir de agora você tem um caminho a seguir enquanto homem. E qualquer manifestação, comportamento que não esteja dentro desse conjunto de características, você vai ser lido como menos homem ou como não homem”.
É na repetição de padrões pré-estabelecidos que se formam os futuros agressores de mulheres. Segundo os especialistas, “a violência doméstica é estrutural e estruturante. Ela funciona de uma forma incrivelmente e terrivelmente pedagógica. Ela ensina, literalmente, a como violentar”.
Diante de um cenário cíclico, romper a corrente da violência se torna o maior desafio. Em meio a debates sobre as penalidades legais para esse tipo de crime, os convidados foram unânimes ao constatar que nada adianta haver punimento se não houver consciência.
“Não adianta nada aumentar a pena sem uma base de educação e de responsabilização. É cruel a sociedade buscar ‘saídas milagrosas’ em momentos de aflição; isso é ilusão. Temos que trabalhar numa perspectiva educativa e transformadora, senão vamos apenas encher presídios que já estão cheios e não recuperam ninguém”, defendeu Sérgio.








