Embaixador do Irã agradece ao Brasil por condenar ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país

Em Brasília, o governo iraniano agradeceu ao Brasil por condenar os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no Irã, que começaram no último sábado (28). Para o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, a posição do país latino foi valorosa ao defender a soberania do país.
“Acreditamos e vemos essa ação do governo do Brasil como valorosa, que dá atenção e valor aos valores do ser humano, como soberania, integridade territorial e também independência dos governos”, disse.
O embaixador criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que ele pensa ser o “rei do mundo”. Segundo Nekounam, depois do ataque militar, foi manifestado pelo governo americano que não há intenção de chegarem em um acordo nuclear e que as negociações foram uma “farsa” para mudar o regime do Irã.
Nesta tarde, o Palácio do Itamaraty informou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan. Eles trataram da situação no Oriente Médio e do fechamento do espaço aéreo na região — o que tem impactado turistas brasileiros que atualmente visitam os países e estão retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi.
Destruição no Irã após ataques dos EUA e de Israel. — Foto: AFP
Em entrevista ao jornal da CBN, o embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, relatou um cenário de tensão, com ruas desertas na capital Terã em meio a nova onda de ataques dos Estados Unidos e Israel no país.
Segundo o diplomata, o Itamaraty estima que cerca de 200 brasileiros vivem hoje no Irã. Ainda, ele afirma que é possível escutar as explosões de onde está e que outra embaixadas já foram alvos dos ataques.
“Os ataques são generalizados na cidade, duas vezes por dia e a gente sente os impactos. A residência do embaixador do México foi muito danificada por estar próxima a um dos ataques… Isso é só para mostrar que os ataques, mesmo sendo cirúrgicos, não são jogos de videogame. Eles atacam e matam pessoas, sejam militares ou civis, e aparentemente isso se torna uma normalidade”, falou.
O embaixador classificou a situação como uma insanidade. Sobre as consequências geopolíticas, alertou que forçar uma mudança de regime no Irã com a aniquilação do Estado resultará em caos. O diplomata lembrou que a sucessão no país está na Constituição e que matar o líder do regime não é solução para o fim do governo.








