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‘Governo se desconectou das demandas da classe trabalhadora’, analisa antropólogo

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outubro 6, 2026
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‘Governo se desconectou das demandas da classe trabalhadora’, analisa antropólogo


Em entrevista ao Estúdio CBN nesta segunda-feira (5), Wagner Guilherme — Doutor em Antropologia, coordenador do DeepLab e pesquisador associado ao laboratório na Universidade de Dublin — analisou o comportamento do eleitor brasileiro após o primeiro turno das eleições no domingo.

Para o antropólogo, o atual governo se “desconectou das demandas da classe trabalhadora”. Ao não se comunicar com o proletariado, também foram perdidas, segundo Wagner, “condições de entender o que ele demanda”.

“A classe trabalhadora de 2025 e 2026 não é a classe trabalhadora do começo do século. As coisas mudaram, o mundo do trabalho é outro, as condições de ascensão individual são outras, as demandas dos trabalhadores são outros. E eu acho que nós perdemos, de uma forma mais geral, condições de falar com esse trabalhador”, disse.

“Como pesquisadores e etnógrafos, (…) uma das coisas que a gente escuta muito é justamente que as demandas desses novos trabalhadores estão muito desconectadas. Não há espaço no discurso político contemporâneo para as demandas dessa classe trabalhadora que está endividada, de uma classe trabalhadora que precisa fazer múltiplos trabalhos ao mesmo tempo, que gasta muitas horas no transporte público”, completa.

PL terá maior bancada na Câmara e no Senado de um partido desde a Constituição de 1988

Em 1986, o MDB (na época PMDB) tinha 260 cadeiras na Câmara. Já no Senado, o mesmo partido teve o recorde em 1999, com 27 parlamentares.

Antes dessa eleição deste ano, o PL já tinha maioria nas duas casas, mas com números menores. No Senado eram 15; e na Câmara eram 99.

Wagner Guilherme analisa, em entrevista ao Estúdio, que o destaque da direita entre os eleitores se dá pela criação de um “sentimento de esperança”.

“O que tem sido muito recorrente nas nossas pesquisas é o sentimento de esperança. E (os candidatos da direita) tem mobilizado os sentimentos dessa nova classe trabalhadora, oferecendo para essas pessoas uma ideia de futuro. Um futuro que cada vez mais se apresenta como altamente individualizado e atomizado, mas que faz sentido para grandes parcelas da população que não tiveram acesso à presença do Estado. Então, a ideia de que se eu trabalhar duro, se eu fizer mais, se eu trabalhar 12 horas, se eu tiver meu empreendimento, se eu fizer tudo que eu posso fazer, vai me dar melhores condições (de vida)”, analisa.

“(É a) esperança de mobilidade social. No fundo, esse sujeito, ele busca sua mobilidade social. (…) Esse é um discurso que, embora muito simplista, dá coerência a um conjunto de conexões que antes não tinha”, completa.

Ouça a entrevista completa:



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