Inflação abaixo do esperado faz Bolsa encerrar semana com maior alta em único dia desde março

A Bolsa brasileira fechou a sexta-feira com a maior alta em um único dia desde março. O Ibovespa subiu 3%, encerrando a terceira semana seguida de ganhos, com alta de 2,2% no período.
Das 78 ações do Ibovespa, 77 subiram. O motivo principal foi a inflação: o IPCA de junho veio praticamente metade do que o mercado esperava, subindo apenas 0,16%, menor variação para o mês desde 2023.
A economista-chefe da Lifetime Investimentos, Marcela Kawauti, explicou que os assuntos domésticos pesaram mais, neste momento, do que a instabilidade do cenário geopolítico, com a retomada do conflito entre Irã e Estados Unidos:
“A gente aguarda para semana que vem uma nova rodada de negociações com a esperança de que o cessar fogo seja retomado. Enquanto isso no Brasil a semana termina com a bolsa em alta principalmente por conta da perspectiva de juros menores por aqui. A expectativa da queda do custo de capital acaba sendo muito favorável para as empresas e para as ações listadas na bolsa de valores”
O dólar também sentiu o efeito. A moeda americana caiu 0,3% nesta sexta e fechou cotada a R$ 5,11, acumulando queda de mais de 1% na semana.
Para o CEO da MA7 Negócios, André Matos, o que se viu hoje é só o começo – ele aposta que o fluxo de investidores estrangeiros deve continuar forte e projeta um dólar ainda mais barato até o fim do ano:
“Circula ainda em relação aos investidores estrangeiros, que o PIB global brasileiro vai ser o de melhor performance, isso também vai atrair grandes investidores do mundo inteiro e nosso juros é o maior juros real do mundo e na realidade o pessoal acaba aplicando na SELIC, no CDI, seja o que for, e automaticamente tem entrada de reserva no país e acaba pressionando o dólar”
Com o dado de inflação mais fraco, o mercado já aumentou a aposta de que o Banco Central vai cortar os juros nas próximas reuniões. Para agosto, a chance de corte já passa de 80%. Para setembro, também é a aposta mais provável.
O analista da Ouro Preto Investimentos Sidney Lima alertou contra a comemoração sem freios, já que a melhora depende de fatores ainda incertos:
“É que essa melhora ainda depende da continuidade desse processo de desinflação por aqui e de um ambiente externo mais estável com essa relação entre os Estados Unidos e o Irã. E se houver uma nova alta do petróleo, uma mudança na perspectiva para os juros lá nos Estados Unidos, parte desse otimismo pode acabar sendo rapidamente revertido.”
Nos últimos 12 meses, a inflação ainda está em 4,64%, acima do teto da meta, que é de 4,5%.



