Inhotim inicia 2026 em destaque mundial e celebrando 20 anos com exposições inéditas
Erguido em meio a 140 hectares de Mata Atlântica e Cerrado, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, inicia 2026 em destaque mundial e também celebrando os 20 anos. A partir de fevereiro, o maior museu a céu aberto da América Latina abre o ciclo comemorativo com exposições inéditas, retornos de obras históricas e ações de educação para o público.
A diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, afirma que estão previstas oito inaugurações ao longo do ano, com nomes importantes de artistas regionais e mundiais.
“A gente vai, de alguma maneira, olhar para o nosso legado, mas nos projetar no futuro. Então, a nossa programação começa já agora em fevereiro com trabalhos da Grada Kilomba e do Paulo Nazareth. Grada é uma artista portuguesa que tem feito um trabalho de longa duração com o Inhotim, e o Paulo Nazareth é um artista daqui, de Minas Gerais. No segundo semestre, em outubro, a gente vai fazer uma expansão e uma reinauguração da Galeria do Cildo Meireles, esse artista tão importante para a arte contemporânea brasileira. Também teremos trabalhos de artistas internacionais como a Janet Cardiff, uma artista também muito querida do público que conhece o Inhotim”, relatou.
Hélio Oiticica, Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977, Instituto Inhotim, [vista aérea] — Foto: Brendon Campos
O museu começou a ser pensado ainda na década de 1980 pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz, que reuniu uma coleção de arte contemporânea em uma fazenda de propriedade dele. Porém, a abertura oficial ao público ocorreu apenas em 2006. Nesses 20 anos, Inhotim se expandiu e passou a reunir quase 2.000 obras de mais de 280 artistas, de 43 países, exibidas ao ar livre e em galerias em meio a um jardim botânico.
Quem lembra desses primórdios do Inhotim é a arquiteta e professora universitária Gabriela Pires, que começou a frequentar o local ainda como estudante, antes do local ser aberto oficialmente ao público. Para Gabriela, uma das experiências mais marcantes é justamente a possibilidade do visitante interagir fisicamente com as obras de arte.
“É impressionante essa atitude ousada na construção e na própria conceituação desse museu. Eu tenho uma memória especial, acho que a principal delas, é de quando eu fui usar a piscina do Jorge Macchi. Foi a primeira vez que fui ao Inhotim para nadar numa obra de arte e eu achei uma experiência maravilhosa. Então, eu acho que o grande presente que o Inhotim tem para a gente é poder ir várias vezes e ver as coisas com calma, perceber a natureza e por aí vai”, disse.
Galeria Adriana Varejão — Foto: William Gomes
O ator e ex-diretor-presidente do Instituto Antônio Grassi participou ativamente do processo de expansão do Inhotim, na última década, com a incorporação de novas linguagens ao museu, como dança, música, teatro, circo e um olhar mais voltado ao paisagismo e à preservação ambiental. Ele lembra, ainda, que o museu também passou por três crises diferentes, mas todas foram superadas.
“Nós tivemos lá atrás aquela epidemia de febre amarela na região e o Inhotim foi obrigado a exigir cartão de vacinação dos seus visitantes. Mais tarde, veio essa tragédia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão. Mesmo fisicamente não tendo atingido o Inhotim, nos atingiu em todos os sentidos. Depois, mais tarde, obviamente, o que atingiu a humanidade inteira, que foi a pandemia, e o Inhotim também resistiu. Na época, conseguimos fazer uma programação virtual e o Inhotim mostrou que ele está muito maior, ele é gigante e está acima disso tudo”, relatou.
Prova dessa recuperação do museu é o recorde de visitantes registrado em 2025: 365 mil turistas, uma alta de 10,4% frente a 2024.
Francislan Santana é de Salvador, na Bahia, e visitou, recentemente, o Instituto — Foto: Arquivo pessoal
O técnico de instrumentação Francislan Santana é de Salvador, na Bahia, e sempre teve vontade de conhecer o Inhotim. Ele aproveitou que se mudou para Minas Gerais a trabalho para ter a primeira experiência no instituto e disse que foi surpreendente.
“Eu acho que essa mescla e fusão da arquitetura contemporânea juntamente com a natureza é uma explosão de sensações. Fora a imensidão do lugar, você tem uma imersão gigantesca em diferentes obras, sensações que elas trazem. Tem ainda o impacto visual, a contemplação da natureza, sobre o mundo, a complexidade da vida. Eu acho que o Inhotim te deixa flutuar na sua imaginação e em suas vivências”, afirmou.
Em meio às preparações para o aniversário de 20 anos, o Instituto Inhotim recebeu outro presente. O museu foi citado como único destino brasileiro na lista do New York Times de lugares para conhecer em 2026. Para a diretora artística Júlia Rebouças, esse reconhecimento é consequência das inovações artísticas que o instituto propõe.
“Acho que o Inhotim sempre se colocou como um lugar de inovação, de inquietação, de experimentação. E a gente está sempre olhando para frente. Estar no Inhotim é, de alguma maneira, se conectar com uma possibilidade de experiências melhores que possam vir. Então, a gente ficou muito feliz por esse destaque no New York Times. Entendemos que nós não somos simplesmente um museu importante, um parque legal, mas que somos essa instituição complexa e que está desafiando aí os modelos e isso é importante para o mundo neste momento”, disse.
Galeria True Rouge — Foto: Ana Clara Martins
Em 2022, o Instituto Inhotim recebeu a doação integral e irrevogável pelo fundador de seu acervo artístico e botânico, além de toda a área de visitação. Desde então, o museu tem intensificado parcerias com empresas para patrocínio por meio da lei de incentivo à cultura. Nesse contexto, foi firmado um acordo com a Vale para investimentos de R$ 400 milhões num período de 10 anos, para a programação artística e educativa, além de desenvolvimento econômico de Brumadinho por meio do turismo.
CALENDÁRIO – INHOTIM 2026
Fevereiro: Inaugurações com Grada Kilomba e Paulo Nazareth
Abril: Inaugurações com Dalton Paula, davi nascimento de jesus e Lais Myhrra
Junho: III Seminário Internacional Transmutar
Setembro: Inauguração da exposição Inhotim 20 anos e Anoitecer Inhotim
Outubro: Inaugurações com Cildo Meireles, Janet Cardiff & George Bures Miller e Festa de Aniversário







