Julgamento de caso Henry vai ao 10º dia e iguala duração do júri da Boate Kiss

O julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pela morte do menino Henry Borel, entra no décimo dia nesta quarta-feira (3) e deve igualar a duração do júri da Boate Kiss, um dos mais longos e emblemáticos da história recente do país.
A expectativa é que o último dia seja dedicado aos debates entre acusação e defesa. A acusação terá duas horas e meia para apresentar suas alegações finais, tempo que será dividido entre o Ministério Público e os assistentes de acusação. Em seguida, as defesas dos dois réus também terão duas horas e meia para sustentar seus argumentos.
Na sequência, haverá réplica da acusação, com duração de duas horas, e tréplica das defesas, também por duas horas. Somados os intervalos, a sessão deve ocupar todo o dia e pode avançar pela noite, com possibilidade de o julgamento ser concluído apenas na madrugada de quinta-feira (4).
Após o encerramento dos debates, os sete jurados se reunirão para votar os quesitos do julgamento. Diferentemente do que muitos imaginam, os jurados não discutem o caso entre si: cada um registra seu voto individualmente, de acordo com sua própria convicção.
O nono dia do julgamento foi marcado pelos depoimentos dos dois réus. Monique Medeiros, mãe de Henry, falou primeiro. Acusada de homicídio por omissão, ela mudou sua versão dos fatos e afirmou pela primeira vez acreditar que Jairinho foi o responsável pela morte do filho.
Segundo Monique, ela provavelmente estava sob efeito de medicamentos e dormia no momento em que Henry teria sido agredido no apartamento onde a família morava.
Já Jairinho, apontado pela acusação como autor das agressões que causaram a morte do menino em março de 2021, falou por mais de uma hora e meia. Durante o depoimento, concentrou-se em relatar sua trajetória pessoal e familiar, tentando construir a imagem de alguém com boa relação com crianças e familiares.
O ex-vereador negou todas as acusações e sustentou que a morte de Henry foi resultado de um acidente. Também rejeitou os relatos de agressões apresentados durante o julgamento por testemunhas, incluindo ex-namoradas e a filha de uma delas, que afirmou ter sido vítima de violência praticada por ele anos antes.
Por determinação do Tribunal do Júri, não é permitida a gravação de áudio ou vídeo dos depoimentos de réus e testemunhas. Por isso, o conteúdo das declarações só pode ser divulgado por meio de relatos feitos pelos profissionais que acompanham o julgamento.



