março 13, 2026

Justiça do Rio manda soltar vereador Salvino Oliveira


O Tribunal de Justiça do Rio determinou a soltura do vereador Salvino Oliveira, do PSD, que havia sido preso na última quarta-feira. A decisão é do desembargador Marcus Henrique Pinto Basílio.

No habeas corpus impetrado na Justiça, a defesa do vereador alegava que a prisão temporária foi decretada com base numa representação policial que não descreve qualquer conduta dele ou contato direto com integrantes de organização criminosa.

Salvino é ex-secretário do prefeito Eduardo Paes e foi acusado de negociar com traficantes do Comando Vermelho a possibilidade de fazer campanha em áreas dominadas pela facção em troca da exploração de quiosques na Zona Sudoeste.

Segundo o relatório inicial divulgado pela Polícia Civil, ter nascido na Cidade de Deus pesou na decisão da corporação de acusar o parlamentar.

A prisão acirrou uma crise entre Paes e o governador Cláudio Castro, com troca de acusações públicas. O prefeito afirma que a Polícia Civil age com motivação política. Hoje pela manhã, Paes afirmou que integrantes do governo e delegados da Polícia Civil o procuraram para pedir desculpas.

“Não admitem publicamente o erro porque são covardes mais ainda. Não adianta ir pros gabinetes e falar ‘ah, realmente erramos’. Admitam, admitam o erro. E, de novo, se amanhã surgir provas que mostrem envolvimento do Salvino com alguma coisa direi para ele responder pelos crimes e não terá mais minha solidariedade”

No entanto, no início da tarde, a Polícia Civil voltou a defender a investigação contra Salvino e deu novos detalhes que não vieram à tona antes porque, segundo a corporação, havia necessidade de preservar informações.

Foram identificadas transações suspeitas de Salvino, que teria recebido mais de 100 mil reais, em apenas quatro meses no segundo semestre de 2024. Elas incluem onze depósitos em dinheiro vivo. Os investigadores afirmam que o vereador recebeu valores provenientes de uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré, na Zona Norte, sem justificativa ou vínculo com ela.

Movimentações suspeitas também foram identificadas em empresas que tem como sócio um homem apontado como o principal assessor do vereador. A esposa desse assessor fez mais de 20 saques em espécie que totalizaram quase 2 milhões e meio de reais, muitos em dias consecutivos. As empresas em nome dela também movimentaram mais de 35 milhões em dois anos, valor incompatível com o faturamento declarado.

Desse montante recebido, foram identificados 300 mil oriundos de uma fintech investigada por ligação com o PCC.

A Polícia Civil afirma ainda que a prisão temporária de Salviano teve como objetivo preservar provas e voltou a negar motivação política.



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