abril 6, 2026

Justiça mira três suspeitos por tentativa de golpe contra herdeiros do fundador do grupo Unip/Objetivo


Um empresário, um ex-policial civil e um árbitro judicial são os principais alvo da Justiça por tentar aplicar um golpe milionário contra herdeiros do fundador do grupo Unip/Objetivo, João Carlos Di Genio. O empresário morreu em fevereiro de 2022 e deixou uma herança estimada em R$ 16 bilhões.

Três meses depois, a empresa Colonizadora Planalto Paulista Limitada apresentou uma dívida de R$ 635 milhões à família do empresário referente à suposta compra de 448 lotes em uma área rural de Piraju, no interior de São Paulo.

A companhia tem como sócio o empresário Luiz Teixeira da Silva Júnior. Em 2019, ele foi investigado por uso de documento falso para tentar conseguir um diploma de medicina.

O homem também é investigado por falsificar a assinatura de um médico num laudo fraudulento divulgado por Pablo Marçal para associar o adversário Guilherme Boulos ao uso de drogas durante a eleição à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Perícias indicaram que as assinaturas de João Carlos Di Genio teriam sido retiradas de documentos originais e inseridas digitalmente em contratos fictícios. Desconfiada, a família solicitou a versão original, mas nunca teve acesso.

Após ter o pedido negado pela Justiça para tentar receber o valor antes da partilha dos bens, os suspeitos recorreram a outro mecanismo: uma sentença de câmara arbitral que determinava o pagamento da dívida, agora elevada para quase um R$ 1 bilhão.

A câmara arbitral funciona como uma espécie de justiça privada, com a sentença tendo o mesmo valor de uma decisão judicial.

Para isso, os suspeitos usaram a Fonamsp, que é o Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação, cujo dono é Wagner Rossi Silva. Ele tem passagens por tráfico de drogas, estelionato e crimes contra o patrimônio.

Os suspeitos ainda usaram o ex-policial civil Rubens Maurício Bolorino para dar aparência de legalidade ao processo, já que ele aparece como testemunha.

Bolorino foi preso duas vezes pela Polícia Federal: uma num esquema de venda de decisões judiciais e outra numa operação contra o tráfico internacional de drogas.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o promotor de Justiça Carlos Bruno Gaya da Costa afirmou que tudo não passou de uma encenação:

“Esses criminosos identificaram essa vulnerabilidade de regulação para tentar obter grande vantagem indevida contra o espólio do senhor Di Genio.”

Procurado pela reportagem, o advogado da Fonamsp disse que entrou em contato com o Ministério Público e a Polícia Civil para esclarecer a situação.

Já a defesa de Luiz Teixeira afirmou que ele entrou na empresa imobiliária depois que o contrato dos terrenos teria sido firmado com Di Genio, e que a perícia nos documentos não é oficial, mas contratada pela família do empresário.

Os advogados de Jorge Alberto, Wagner Rossi e Rubens Bolorino não foram localizados.



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