Lula grava material de campanha com candidatos ao Senado e a governos estaduais

O presidente Lula dedicou esta quinta-feira (13) às gravações de material de campanha ao lado de candidatos a governador e senador de 18 estados. Ao longo de cerca de três horas, Lula participou das gravações no QG da campanha, no Lago Sul, em Brasília.
A estratégia da base governista tem como um dos principais objetivos ampliar o número de senadores aliados no Congresso Nacional. Durante as gravações, a senadora Soraya Thronicke, candidata à reeleição pelo PSB de Mato Grosso do Sul, afirmou ter agradecido a Lula pelo que classificou como uma atuação para “salvar o Brasil”. Segundo ela, depois dos ataques de 8 de janeiro, é preciso evitar um novo tipo de ameaça, que chamou de “golpe parlamentar”.
Soraya também afirmou que setores da direita buscam ampliar sua representação no Senado para promover mudanças no Supremo Tribunal Federal, incluindo a possibilidade de impeachment de ministros. A estratégia do grupo governista, portanto, é eleger uma bancada alinhada ao presidente para equilibrar a correlação de forças no Congresso.
Além dos candidatos ao Senado, participaram das gravações candidatos a governos estaduais, entre eles nomes das chapas majoritárias da Bahia, de Pernambuco, do Ceará e de Mato Grosso do Sul. Segundo integrantes do PT, os conteúdos serão utilizados em inserções de aproximadamente 30 segundos no rádio e na televisão, cuja propaganda eleitoral gratuita começa em 28 de agosto. Também foram produzidos vídeos para candidatos a deputado federal, com o objetivo de fortalecer as candidaturas proporcionais do partido.
O senador Humberto Costa afirmou que a prioridade da campanha é justamente ampliar a bancada governista no Senado. Segundo ele, a direita trabalha para conquistar maioria na Casa, e a resposta do grupo lulista será tentar eleger o maior número possível de senadores aliados.
A movimentação eleitoral ocorre paralelamente às negociações do governo com o Congresso. Entre as prioridades está a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 por 1. Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retomaram o diálogo, mas a votação da proposta ainda não tem data definida.
Outro elemento que chamou atenção nas gravações foi o chapéu estilo Panamá usado por Lula. O acessório também aparece na fotografia escolhida pelo presidente para a urna eletrônica e se tornou uma marca visual de sua campanha.
O uso do chapéu ganhou destaque depois que Lula passou, em abril, por uma cirurgia para a retirada de um carcinoma basocelular no couro cabeludo e, posteriormente, por sessões de radioterapia. Desde então, o presidente passou a utilizar o acessório com mais frequência para se proteger do sol
A legislação eleitoral determina que a fotografia utilizada na urna permita a identificação visual do candidato. Em 2022, porém, o TSE autorizou o então candidato a deputado federal Douglas Belchior a usar boné na foto da urna, considerando o acessório parte de sua identidade sociocultural. O precedente pode ser utilizado pela campanha de Lula caso haja algum questionamento sobre o chapéu.
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. Lula deverá participar de um ato de início da campanha em São Bernardo do Campo. Já a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será exibida entre 28 de agosto e 1º de outubro.
Do outro lado da disputa presidencial, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, também reuniu candidatos ao Senado nesta semana para gravações de campanha. O encontro contou com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e teve como objetivo preparar conteúdos para o início da campanha e para a propaganda eleitoral.



