Mauro Vieira diz que governo é contra classificar facções criminosas como grupos terroristas

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro é contra a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. É a primeira vez que o ministro se manifesta publicamente sobre o impasse.
Segundo Vieira, o Brasil não poderia adotar outro posicionamento, tanto do ponto de vista legal quanto político. Ele ressaltou que o país não pode colocar a soberania nacional em risco ou sob influência de nações estrangeiras. O chanceler também citou possíveis consequências dessa classificação, como a hipótese de intervenção militar estrangeira, que vem sendo debatida no governo de Donald Trump.
“O importante é ter muito claro que, do ponto de vista legal, o Brasil não poderia ter uma atitude diferente. Do ponto de vista político, também não, porque não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros. Não há dúvida quanto ao objetivo de combate ao crime organizado e ao crime transnacional”, afirmou.
O ministro disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ao governo Trump um acordo para o combate ao crime transnacional, incluindo lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
O Itamaraty também negocia uma visita de Lula aos Estados Unidos. Inicialmente prevista para 16 de março, a agenda ainda está em discussão, segundo uma fonte.
Mais cedo, em audiência no Senado Federal do Brasil, Vieira criticou a paralisia da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança da ONU diante da guerra no Irã. Segundo o chanceler, a ONU tem desempenhado um papel secundário nas negociações sobre a crise.
Vieira afirmou ainda que o conflito surpreendeu o governo brasileiro, já que havia negociações diplomáticas em andamento com o Irã sobre o enriquecimento de urânio.
O ministro alertou para os impactos econômicos globais da crise. Ele destacou que cerca de 20% do petróleo mundial passa pelos países do Golfo e que, diariamente, cerca de 250 navios atravessam o Estreito de Ormuz. A interrupção desse fluxo, segundo ele, pode provocar escassez e pressionar a inflação.
Para o Brasil, a principal preocupação não é o petróleo ou a segurança alimentar, mas o fornecimento de fertilizantes. Por isso, o governo busca diversificar as parcerias comerciais.








