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Oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos, mostra pesquisa

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setembro 22, 2026
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Oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos, mostra pesquisa


Com apenas poucos dias antecedendo as eleições, a disputa pelo voto dos eleitores evangélicos segue em pauta. Mas como generalizar a agenda voltada a essa parcela da população sendo que o grupo evangélico está longe de ser homogêneo? Para destrinchar a conexão entre religião e política, o Instituto de Estudos da Religião (Iser), juntamente com a Quaest, realizou a pesquisa “Religião e Vida Política no Brasil”.

Segundo o levantamento, oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos. É o que explica Ana Carolina Evangelista, cientista política e pesquisadora sênior do Iser, em entrevista ao Estúdio CBN:

“A população quer separar da política o espaço que ela considera sagrado e importante para praticar sua fé, encontrar sua comunidade, congregar, encontrar seus irmãos de fé”.

A pesquisadora explicou que, apesar da preferência do eleitorado pelo afastamento entre política e espaços religiosos, os líderes continuam exercendo influência política nas igrejas por “entenderem que esse é um espaço privilegiado de comunicação com sua base”.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revelou que apenas 18% dos entrevistados reconheceram ter recebido orientação de voto de suas lideranças nas eleições de 2022.

“Quando a gente pergunta sobre como a pessoa decidiu o voto dela, normalmente ela responde que é por sua própria decisão e vontade. É difícil medir essa influência, seja da família, de um parente, de uma liderança religiosa”, afirmou. “A gente vem identificando um cansaço e muitas histórias de pessoas que mudaram de igreja ou que saíram de suas igrejas, dos seus espaços religiosos, por excesso de política nesses espaços. Mas isso não significa necessariamente que elas vão mudar o seu voto”.

Segundo a especialista, foi apontado na pesquisa que os evangélicos frequentam as igrejas com muito mais assiduidade do que outros religiosos, e é nesse espaço onde as pessoas se encontram que “podem estar influenciadas sob falas políticas”.

Voto como ‘questão de fé’

Ana Carolina Evangelista ressaltou que a importância do voto que vem a partir de um segmento com identidade religiosa “não é algo novo”, mas que vem crescendo à medida que os representantes evangélicos polarizam as pautas políticas e convertem o voto em uma “questão de fé”:

“Representantes do campo evangélico na política têm polarizado essa conversa, têm radicalizado o voto, têm tentado colocar como se fosse uma questão de fé, como se fosse uma questão de conexão com a sua identidade religiosa”, disse.

Segundo ela, esse fenômeno tem acontecido, principalmente, a partir dos anos 2000, e tem influenciado na percepção de que o voto evangélico representa um grupo homogêneo:

“É como uma politização da fé, uma radicalização política, uma politização que extrapola os muros da política institucional. Sai dos muros do Congresso Nacional e entra nas igrejas. É aí que o tal ‘voto evangélico’ passa a ser falado e visto dessa forma mais no singular e não no plural”.



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