Operação da PF mira grupo ligado à máfia italiana que usava porto no PR para mandar cocaína à Europa

Uma operação da Polícia Federal mirou um grupo ligado à máfia italiana que usava um porto paranaense para mandar cocaína à Europa. Sete mandados de prisão e cinco de busca e apreensão foram expedidos em São Paulo e em Santa Catarina. A investigação também encontrou integrantes do PCC no esquema.
A Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma organização criminosa brasileira ligada à máfia italiana. A investigação aponta que o grupo mandava grandes carregamentos de cocaína para a Europa, principalmente pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.
Foram expedidos sete mandados de prisão preventiva, alguns contra alvos que já estavam presos, e cinco de busca e apreensão em Palhoça, Santa Catarina, e em cidades de São Paulo: a capital, São Caetano do Sul, Santos e Americana. A Justiça também mandou bloquear bens e imóveis dos investigados.
Segundo a PF, o esquema sobreviveu à prisão de dois integrantes da máfia italiana em Praia Grande, no litoral paulista, em 2019. A mulher de um deles assumiu o negócio, com a ajuda de familiares e antigos associados, e manteve os envios.
A sucessão batizou a operação, “Eredità”, herança em italiano. O delegado da PF Eduardo Verza explicou que os laços de família são a base da ‘Ndrangheta, a máfia da Calábria, no sul da Itália, considerada a mais rica e poderosa do país.
“A partir desse vínculo familiar, que é muito considerado na ‘Ndrangheta, a questão do sangue, o que se difere de outras máfias justamente por conta disso. O membro tem que ter algum vínculo familiar, seja de sangue ou por questão afetiva, em casamento, enfim. Então, essa pessoa veio assumir no Brasil.”
A droga abastecia um grupo na região do Piemonte, no norte da Itália. A PF liga a quadrilha a pelo menos 11 apreensões entre 2019 e 2020, que somaram mais de quatro toneladas e meia de cocaína, com destino a Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.
A investigação também encontrou uma estrutura para esconder o dinheiro do tráfico, com empresas de fachada, imóveis e transferências. Para escapar da polícia, o grupo usava celulares com alto nível de criptografia e programas de contrainteligência.
Entre os investigados há integrantes do PCC, mas, segundo a PF, não houve parceria entre a facção e a máfia. Segundo o delegado Alexandre Custódio, essas pessoas agiam por conta própria.
“Então, são pessoas associadas ao PCC, têm integrantes do PCC nessa investigação. Mas eles estão atuando com capital próprio e proveito próprio. O lucro, vamos dizer assim, dessas operações ilícitas não aproveita a facção criminosa. Como facção. Esse tráfico internacional que aqui foi investigado não aproveita líderes do PCC. Os líderes do PCC também têm os seus próprios grupos e os seus próprios negócios.”
O trabalho foi feito em conjunto com autoridades italianas. Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.



