Operação da Polícia Civil de MG mira quadrilha que vendia tênis falsificados em larga escala

Uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais bloqueou cerca de R$ 10 milhões de um grupo criminoso, suspeito de fabricar e vender tênis falsificados em larga escala no estado mineiro.
O grupo tinha lojas, galpões e fábricas, espalhadas pelas cidades de Ouro Branco, na região central do estado, e também em Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas, cidade conhecida por ser um dos principais pólos do setor no Brasil, voltado para a produção de calçados esportivos.
O rastreamento do esquema
Segundo os investigadores, as apurações contra o esquema começaram há cerca de dois anos, após a denúncia de um setor de segurança de um marketplace, que identificou a comercialização irregular de produtos dentro da própria plataforma.
Segundo o delegado do caso, Anderson Kopke, a partir das informações foi possível mapear um esquema estruturado, com atuação na produção, distribuição e venda digital dos calçados para diversos estados do país:
“Essas empresas maiores têm um departamento de investigação própria, que eles já tinham rastreado internamente, com a ajuda do pessoal da Adidas, a comercialização de produtos falsificados, utilizando a plataforma Mercado Livre. A partir das informações que eles passaram pra gente, foi feito um rastreamento das vendas e o consumidor final, de quem esse consumidor estava fazendo as compras, se havia pagamento de impostos, quem eram os vínculos financeiros, que nós conseguimos identificar a existência de um polo em Nova Serrana, porque originalmente a denúncia descrevia a comercialização realizada em ouro branco.”
A Polícia Civil realizou uma operação com o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, em quatro municípios mineiros. Durante as ações, mais de 15 mil pares de tênis falsificados que estavam prontos para comercialização foram apreendidos.
Além disso, em um dos mandados foi descoberta uma fábrica clandestina que funcionava em condições insalubres e sem estrutura adequada de trabalho. O Ministério Público Estadual acompanha o caso, já que há indícios de que os trabalhadores estavam em situação irregular.
Conforme o delegado Anderson Kopke, a cadeia de venda de produtos falsificados teria gerado às empresas detentoras das marcas originais um prejuízo anual que chega à casa dos bilhões de reais:
“Em princípio, as próprias marcas já haviam nos fornecido algumas informações sobre o prejuízo financeiro para elas de R$ 9 bilhões anuais com essas falsificações, além disso ainda existem o prejuízo para o consumidor, que algumas pessoas são iludidas e compram um produto apenas pelo preço e não têm noção de que é um produto falsificado, existe o prejuízo financeiro tributário para o Estado e ainda existem essas questões que são as condições totalmente insalubres desses trabalhadores lá na fábrica em Nova Serrana.”
Conforme a Polícia Civil, as investigações continuam para prender pelo menos três integrantes do grupo. Os suspeitos podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes contra marcas e às relações de consumo.








