Pedido de habeas corpus no STF provoca troca de advogados de Carla Zambelli

O pedido de habeas corpus preventivo apresentado ao STF pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) motivou a troca na equipe de advogados por incompatibilidade na estratégia de defesa. Interlocutores da parlamentar disseram à CBN que Zambelli não cumpriu um acordo político que havia sido firmado com o advogado Fábio Pagnozzi, que deixou os processos. O descumprimento teria gerado uma discussão com cobranças por mensagens. Segundo esse aliado, a ex-deputada teria indicado ainda reclusa na Itália, em documentos assinados por ela, que apoiaria o advogado para o cargo de deputado federal. O apoio, no entanto, foi direcionado à candidatura da própria mãe, Rita Zambelli, a deputada federal por São Paulo. Pagnozzi é filiado ao Novo e concorre a uma vaga no Congresso Nacional. O acordo, porém, teria envolvido o repasse de 2 milhões de reais do fundo eleitoral do Partido Liberal, sigla de Rita.
Segundo esse interlocutor à CBN, Pagnozzi teria atuado nos processos de Zambelli e do marido dela sem a cobrança de honorários, em razão da expectativa de apoio à candidatura dele a deputado federal por São Paulo. O advogado deve recorrer à Justiça para cobrar pelos serviços prestados. Fábio Pagnozzi estaria ressentido por ter sido deixado de lado na composição com a deputada cassada. O rompimento foi encaminhado ao STF na semana passada. Ele também relatou que trabalhou em dezenas de processos relacionados à ex-deputada e ao marido, principalmente no processo que tratava da extradição da Itália para o Brasil.
Com a saída de Pagnozzi, o advogado Eduardo Maurício assumiu a defesa de Zambelli no Brasil e passou a atuar em conjunto com o italiano Pieremilio Sammarco. A nova equipe apresentou ao Supremo Tribunal Federal um habeas corpus preventivo para garantir a entrada da ex-deputada no país sem ser presa. A defesa afirma que Zambelli pretende retornar ao Brasil em 3 de outubro, véspera do primeiro turno, para votar, e deixar o país novamente no dia 5.
O pedido busca um salvo-conduto para que ela possa entrar no território brasileiro, exercer o direito de voto, inclusive na própria mãe, e retornar à Itália. Zambelli tem duas condenações no STF: dez anos de prisão pelo ataque aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e pela inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes; e cinco anos e três meses pelo episódio em que perseguiu um homem com uma arma em São Paulo.



