Polícia descarta efeito de drogas em diarista que matou casal de idosos com 50 facadas em BH

Laudos periciais da Polícia Civil de Minas descartaram o uso de drogas, remédios psiquiátricos ou de antidepressivos pela diarista Paola Stefany Cirino, de 30 anos, investigada pelo duplo latrocínio – roubo seguido de morte – de um casal de idosos, em Belo Horizonte. A informação foi divulgada pelo delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, responsável pelo caso.
Num primeiro momento, após presa, a investigada chegou a afirmar aos policiais que estava sob efeito de remédios na hora do crime e que também dopou as vítimas. Porém, exames de sangue e de urina descartaram o uso de qualquer substância química por ela.
Dessa forma, o delegado aponta que a diarista provavelmente foi ao imóvel com a intenção de roubar o casal, mas a situação acabou escalonando para o latrocínio.
“Ambas as vítimas foram dopadas pelo remédio Clonazepam, considerando que o laudo pericial de sangue apresenta vestígios desse remédio. Fato curioso também, que a investigada informou que ela teria ingerido também o remédio Clonazepam, quando, na verdade, o laudo pericial informa que o seu sangue não apresenta nenhum tipo de vestígio desse remédio, nem ao menos a sua urina. Na nossa visão, isso indica que ela já compareceu à aquela residência com a intenção de dopar as vítimas e realizar a subtração dos bens que estavam na residência”, disse.
Os laudos foram apresentados também à Justiça durante audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (03), em Belo Horizonte. Com base nesses relatórios e na ausência de apresentação pela defesa de um laudo psiquiátrico, a juíza Juliana Beretta Kirche converteu a prisão em flagrante para preventiva.
Conforme a magistrada, até o momento não há nenhum elemento concreto que “indique que Paola Cirino seja portadora de patologia psiquiátrica ou que seja incapaz de compreender o caráter ilícito da sua conduta”.
Paola foi presa num hotel em Itabira, na região Central de Minas, três dias após assassinar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a mulher dele, a empresária Maria Clotilde Inácio, de 76, a facadas. Segundo a Polícia Civil, a mulher também admitiu ter roubado bens do apartamento, como dois celulares, cinco relógios, joias, cerca de R$ 18 mil em espécie, roupas e cartões de crédito.
Os relógios pertencentes às vítimas foram localizados e devolvidos pelo comprador nessa quinta-feira. Até o momento, a Polícia afirma que não há indícios de que ele tenha agido de má-fé.
A PC também confirmou que identificou o motorista que levou Paola até o Centro de BH para vender os objetos roubados. Segundo o delegado Gustavo Barletta, tudo indica que ele não tem relação com o crime e apenas fez a corrida. Mas, o condutor ainda prestará depoimento.
A defesa de Paola informou, em nota, que atua com responsabilidade, respeitando os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.



