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Polícia encontra apologia ao nazismo com adolescentes suspeitos de induzirem suicídio de menina de 13 anos no Discord

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setembro 15, 2026
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Polícia encontra apologia ao nazismo com adolescentes suspeitos de induzirem suicídio de menina de 13 anos no Discord


Seis adolescentes foram apreendidos nesta terça-feira (15) na segunda fase da Operação Lívia, que apura a morte de uma menina de 13 anos, de Naviraí, Mato Grosso do Sul.

A investigação aponta que ela foi induzida a tirar a própria vida em uma transmissão ao vivo no Discord, em julho.

Os alvos têm entre 14 e 17 anos, faziam parte das chamadas “panelas” – grupos virtuais de violência e extremismo – e foram localizados no Rio de Janeiro, em São Paulo, na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

A investigação é da Polícia Civil sul-mato-grossense, com apoio do laboratório de operações cibernéticas do Ministério da Justiça.

A nova fase partiu da análise de celulares e computadores apreendidos no início de agosto, quando um adulto foi preso e cinco adolescentes apreendidos, entre eles um garoto de 14 anos apontado como chefe do grupo.

Com os investigados, a polícia encontrou armas, material de apologia ao nazismo e conteúdo de abuso sexual infantil.

Segundo a polícia, as panelas têm hierarquia: administradores, recrutadores e uma plateia que assiste e incentiva o que chamam de “eventos”.

Os grupos disputam fama entre si, e quanto mais extremo o conteúdo, maior o prestígio.

Cerca de 90% dos integrantes identificados são adolescentes.

A apuração mostrou que a abordagem começava de forma amistosa, em redes sociais e apps de conversa, mas escalava rumo a ameaças.

A delegada Anne Karine Sanches Trevizan, da delegacia de proteção à criança e ao adolescente, falou à TV Morena, afiliada da TV Globo no Mato Grosso do Sul, sobre como as meninas são mantidas sob controle:

“A escolha é por meninas. As meninas que são vítimas acabam sendo ameaçadas por eles e elas fazem a mutilação, fazem o que eles exigem, porque elas têm medo de contar para os seus pais que acabaram se envolvendo nesse grupo, nessa plataforma, e que ela está sendo vítima, ameaçada. Então ela vai fazendo conforme ele vai determinando o que ela faz.”

A perícia também revelou vítimas que nunca contaram aos pais, nem registraram ocorrência.

Os grupos estavam no Telegram, Discord, Instagram e no aplicativo de mensagens Zangi.

Após o caso, as transmissões ao vivo do Discord foram suspensas no Brasil em 12 de agosto, por decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados.

A Advocacia-Geral da União também processa a empresa, cobrando medidas de proteção previstas no ECA Digital e indenização de 500 milhões de reais.

Em audiência de conciliação no início do mês, a plataforma ganhou dez dias úteis para apresentar uma proposta.

Em nota, o Discord afirma que remove proativamente conteúdos que violam suas políticas e que coopera com as autoridades no caso.



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