Polícia fala em indiciar quatro pessoas por desabamento de prédio que matou seis pessoas na Zona Leste de SP

Quatro pessoas investigadas pelo desabamento do prédio que matou seis pessoas na Zona Leste na último sábado serão indiciadas por homicídio com dolo eventual. A promessa foi feita pela Polícia Civil em coletiva de imprensa nesta terça-feira.
Três das quatro pessoas já foram alvos de mandados de prisão: Isis de Freitas Rodrigues Brandão, proprietária do prédio e responsável pela construtora New Home; Cristiano Salgado Vivacqua, engenheiro responsável pela obra e marido de Isis; e Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano, apontado nas investigações como sócio oculto da construtora. Ronaldo já está preso. Já Isis e Cristiano seguem foragidos.
Já a quarta pessoa é Viviane Rodrigues de Palma, a fiscal da Subprefeitura da Penha que, em 2024, assinou o laudo atestando a demolição. A obra tinha sido embargada pela Prefeitura. A gestão municipal só liberou o alvará de uma nova obra caso fosse feita a demolição, o que não ocorreu.
O prédio, então, continuou sendo erguido, resultando na tragédia. Foi o que afirmou o delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira.
No laudo emitido em fevereiro de 2024, Viviane Rodrigues de Palma atestou que a demolição foi efetuada em sua integralidade, dando lugar à execução de edificação nova em andamento.
A fiscal prestou depoimento à polícia nesta terça-feira e, depois, falou com os jornalistas. Ela admitiu que não entrou na obra, mas negou que tenha atestado a demolição que consta no relatório:
“Quando eu cheguei no local a obra estava paralisada e já tinha um bom andamento. Ela já tinha alguns andares, mas não estava finalizada e não tinha características de abandono. Mas a gente não pode entrar numa obra particular sem autorização. Então a minha vistoria ficou muito no campo visual. Em momento algum eu declarei que aquela edificação teria sido demolida. Em momento algum eu declarei que não tinha segurança – mesmo porque não é minha competência aferir a segurança naquele momento da vistoria.”
A fiscal foi afastada das funções por 120 dias.
Além do desabamento do prédio, a polícia também apura paralelamente denúncias de estelionato envolvendo a construtora. Ao menos dez vítimas denunciaram que compraram terrenos e imóveis e não receberam os apartamentos nem o dinheiro de volta. Entre as denúncias está a do proprietário do terreno onde o prédio que desabou foi erguido.



