Por que o Brasil é sempre o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU? Entenda

Nesta terça-feira (22), o presidente brasileiro Lula irá discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Lula já realizou esse ato em diversas outras ocasiões, sendo sempre o primeiro, enquanto esteve na presidência.
O Brasil há décadas é o país que abre os discursos dos países na Assembleia, em uma tradição que começou há anos e tem relação com o trabalho diplomático do país.
Segundo a Organização das Nações Unidas, o país abre desde 1955, quando ocorreu a 10ª sessão da Assembleia Geral. As únicas vezes que isso não ocorreu foi em 1983 e 1984.
Além do presidente brasileiro, logo em seguida é a vez sempre do presidente dos Estados Unidos, país anfitrião sempre da reunião, visto que a ONU está localizada em Nova York.
‘No âmbito do debate geral, várias práticas surgiram ao longo do tempo, incluindo a ordem dos primeiros oradores’, diz a ONU em seu site.
Qualquer líder de Estado, observadores e autoridades podem falar na reunião anual. Inicialmente, a ONU foi criada por 51 membros logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1945. Atualmente, são 193 membros.
Por que o Brasil é sempre o primeiro a discursar?
Lula discursa na Assembleia Geral da ONU — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Nas primeiras sessões da Assembleia Geral, havia certo receio de muitos países falarem. Uma das teorias mais aceitas para o Brasil virar o primeiro a discursar, então, é que representantes brasileiros acabavam sempre se candidatando e sendo os primeiros a falarem.
A partir disso, virou uma tradição.
O chefe do protocolo das Nações Unidas, Desmond Parker, afirmou isso para a emissora americana NPR dizendo que ‘garantiram esse direito’ porque ‘nos primórdios, quando ninguém queria ser o primeiro a falar, o Brasil sempre se oferecia para ser o primeiro’.
Nas primeiras reuniões, os arquivos mostram que o Brasil falou primeiro, por exemplo, em 1949, 1950 e 1951.
Há também uma teoria, que seria em conjunto com a primeira, de uma homenagem para a diplomacia brasileira, através de Oswaldo Aranha. Ele foi responsável por presidir a sessão em 1947 que decidiu a partilha da Palestina e a criação de Israel.
Na época, enquanto presidente, ele foi o primeiro a falar.
Essa posição diplomática também se reforçou em um momento tenso da ONU, que foi a Guerra Fria. Enquanto o mundo era partilhado, o Brasil era reconhecido como uma posição neutra internacionalmente, mesmo sob o governo militar, já que seguia com relações diplomáticas abertas tanto com os EUA quanto com países de governos socialistas, como Cuba e União Soviética.
Nos dois anos que o Brasil não abriu a Assembleia os Estados Unidos foram os primeiros, em 1983 e 1984. Os representantes brasileiros falaram logo em seguida.
A ONU afirma que a ordem de discursos, assim como o espaço, muda de acordo com as representações dentro da Assembleia Geral, geografia e preferência dentre os membros.
Estados-membros da ONU. — Foto: Wikimedia Commons



